Pesquisa mapeia espécies mais ameaçadas e distintas

  • 16 maio 2013
Bicho-preguiça de coleira (foto: Paulo B. Chaves)
O bicho-preguiça de coleira é a espécie brasileira com maior índice de ameaça e distinção

Um grupo de pesquisadores ligados à Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) mapeou as espécies de mamíferos e anfíbios mais distintas e ameaçadas do mundo.

O projeto EDGE (sigla em inglês para Evolucionariamente Distinto e Globalmente ameaçado) foi desenvolvido pela ZSL para indicar as espécies que não somente estão sob ameaça de extinção quanto são biologicamente distintas.

Os cientistas prepararam um ranking baseado nessas duas variáveis. Segundo os pesquisadores, quanto mais alto a posição da espécie no ranking, maior seria a perda gerada por sua extinção em termos de história evolutiva.

O projeto também colocou em um mapa a localização dessas espécies ameaçadas. O mapa preparado pelo estudo chama a atenção para o fato de que somente uma fração das áreas identificadas como críticas para a proteção dessas espécies são protegidas.

Entre as centenas de espécies indicadas pelo projeto estão 26 mamíferos e 14 anfíbios encontrados no Brasil.

Os mamíferos brasileiros com as posições mais altas no ranking do projeto EDGE são o bicho-preguiça de coleira (Bradypus torquatus), na 61ª posição do ranking, o preá Cavia intermedia (Cavia intermedia), na 68ª, e o peixe-boi-marinho (Trichechus inunguis), na 70ª.

Entre os anfíbios, a rã do rio Mutum (Dasypops schirchi) é a espécie brasileira com posição mais alta no ranking (145ª).

O ranking traz três espécies de équidnas (animal coberto de espinhos e com características de répteis, aves e mamíferos) empatadas na primeira posição do ranking: a équidna-de-barton (Zaglossus bartoni), a équidna-de-attenborough (Zaglossus bruijnii), e a équidna-de-bico-longo (Zaglossus bruijnii), todas encontradas na ilha de Nova Guiné, dividida entre a Indonésia e Papua Nova Guiné.

Prioridades

O ranking traz três espécies de equidnas como as mais ameaçadas e distintas do mundo

Os pesquisadores afirmam que o mapa serve como indicação das regiões com maiores concentrações dessas espécies e de quais deveriam ser as prioridades para proteção.

"Se você olhar para os mamíferos, se olhar somente para a história evolucionária, as espécies que são mais diferentes de todas as outras, as mais enraizadas, tendem a estar na América do Sul", disse à BBC Jonathan Baillie, diretor de preservação da ZSL.

"Mas se você incorpora a questão da ameaça, então o foco munda para o sudeste da Ásia, e a razão é que a conversão do uso da terra lá foi tão rápida, por coisas como a produção de azeite de dendê, que muitas dessas espécies estão altamente ameaçadas e aparecem no topo do ranking quando adicionamos essa variável", observa.

Além de chamar a atenção para o fato de que as áreas prioritárias para mamíferos e anfíbios são diferentes, o mapa também indica como poucas das áreas identificadas como prioridade para essas criaturas distintas são protegidas. Apenas 5% das regiões consideradas prioritárias para mamíferos e 15% das prioritárias para anfíbios são protegidas.

"Tentamos atrair a atenção para uma série de espécies que estão à beira da extinção e sobre as quais a maioria das pessoas nunca escutaram", diz Baillie.

Pequenas mudanças

Os anfíbios estão sofrendo com uma taxa de extinção "aterrorizante", dizem os pesquisadores, tornando-os os animais vertebrados mais ameaçados do mundo.

Eles observam, porém, que apesar dos muitos desafios complexos envolvidos na preservação das espécies, às vezes algumas mudanças podem fazer uma grande diferença.

Baillie cita o exemplo de um pequeno anfíbio parecido com uma minhoca, originário do Quênia, chamado Sagalla caecilian.

"A espécie estava perdendo seu habitat porque as árvores nativas estavam sendo retiradas, então começamos um programa para replantar as árvores nativas, e 6.000 delas já foram replantadas. As áreas com maior concentração da espécie agora estão protegidas", afirma.

"Esse tipo de ação simples pode garantir que essas espécies continuem a existir daqui a centenas de anos", diz.

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