Homem é morto em possível ataque terrorista em Londres

Cena do ataque em Woolwich, no sudeste de Londres
Image caption Autoridades investigam ataque no sudeste de Londres como um possível ato de terrorismo

Um homem foi morto após ser atacado por dois indivíduos com uma espécie de facão em uma rua no bairro de Woolwich, no sudeste de Londres. Os autores do ataque foram, em seguida, baleados pela polícia e encaminhados a um hospital da região.

De acordo com testemunhas, os autores do ataque teriam gritado Allahu Akbar ("Deus é grande", em tradução livre do árabe), e o incidente foi gravado em vídeo.

As testemunhas relataram que, depois de atacar a vítima, os dois homens jogaram o corpo em uma rua perto de um quartel militar.

A vítima seria um soldado, segundo relatos iniciais, mas a informação não foi confirmada.

Em entrevista coletiva concedida em Paris, onde estava em visita oficial, o premiê britânico, David Cameron, afirmou que há "fortes indícios" de que o incidente foi um ato "terrorista". Ele acrescentou que a Grã-Bretanha "não sucumbirá" a tais ataques.

Se for confirmado se tratar de um ato terrorista, terá sido o primeiro com vítimas fatais no país desde os ataques suicidas de 2005 em Londres.

Cameron, que planejava passar a noite na capital francesa, voltou ainda nesta quarta-feira a Londres.

A ministra britânica do Interior, Theresa May descreveu o ataque como um ato "repugnante e bárbaro" e afirmou que estava sendo informada sobre as investigações pelo diretor-geral do serviço de segurança MI5, Andrew Parker, e pelo comandante da polícia de Londres, Bernard Hogan-Howe.

Segundo o correspondente da BBC Norman Smith, após uma reunião do grupo Cobra, comitê de resposta a emergências do governo, as autoridades decidiram aumentar a segurança da área e de outros quartéis militares em Londres.

Gravação

Em um vídeo divulgado pela TV britânica ITV, um dos supostos acusados pelo ataque, vestido com um casaco cinza, diz: "Nós devemos lutar contra eles porque eles lutam contra nós. Olho por olho, dente por dente".

A BBC não conseguiu confirmar a veracidade da gravação.

O homem, cuja identidade não foi revelada, acrescentou: "Quero pedir desculpas às mulheres que tiveram de testemunhar isso hoje, mas, na nossa terra, as mulheres são obrigadas a ver a mesma coisa. Vocês nunca estarão a salvo. Deponham seu governo, eles não se preocupam com vocês".

Joe Tallant, que testemunhou parte da cena, disse à BBC que os dois supostos assassinos não pareciam querer fugir da polícia.

"Eles estavam com armas na mão e diziam às pessoas que chamassem a polícia. Não tentaram fugir. Poderiam ter fugido, mas ficaram perto do corpo, como se quisessem ser pegos. Eels estavam esperando a polícia."

'Pareciam loucos'

Outra testemunha disse à BBC que viu dois homens disse que eles "aparentavam estar loucos. Eles pareciam animais. Eles o tiraram (a vítima) da calçada e jogaram seu corpo no meio da rua", disse ele à rádio LBC.

Ele disse que após o ataque, o qual descreveu como "horrendo", os dois homens, que aparentavam a mesma faixa etária da vítima, ficaram em volta do corpo por alguns minutos, segurando facas e uma arma de fogo.

Os agressores também teriam pedido, segundo a versão desta testemunha, que pedestres tirassem fotos deles como se eles "quisessem aparecer na TV".

No Twitter, o prefeito de Londres, Boris Johnson, descreveu o ataque como "um ato de violência repugnante e imperdoável".

O Conselho Muçulmano Britânico também se manifestou, condenando o ocorrido e dizendo que o ato "não tem justificativa no islã".

O Palácio de Buckingham emitiu um comunicado dizendo que a rainha Elizabeth 2ª está preocupada com a notícia do ataque e se mantém atualizada sobre o desenrolar dos fatos.

Segundo o parlamentar britânico Nick Raynsford, a polícia apreendeu uma série de armas na cena do crime, incluindo uma arma, facas e um facão.

A investigação do homicídio está sendo conduzida pela unidade policial de contraterrorismo.