Guantánamo: promessa de Obama ainda é vaga

Obama / Getty
Image caption Para editor da BBC, Obama não deu pistas sobre como conseguirá fechar prisão em Cuba

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira que o país está em uma encruzilhada sobre como combater o terrorismo.

Em um discurso apaixonado e inteligente, ele tentou deixar claro qual será o caminho que os Estados Unidos devem seguir para acabar com o que o país considera uma de suas maiores preocupações.

Uma das peças-chave foi a renovação de seu compromisso com o fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba, criada pelo governo americano em 2002.

Mas, de novo, não houve pistas sobre como ele conseguirá concretizar sua promessa, especialmente no que diz respeito aos entraves políticos que vêm impedindo o líder americano de alcançar seu objetivo nos últimos cinco anos.

O argumento principal de Obama baseou-se na conjectura de que ataques como os de 11 de setembro de 2001 em solo americano não acontecerão novamente.

Sem cura

Para ele, os Estados Unidos enfrentam uma ameaça terrorista de menor proporção – pequenos grupos regionais e extremistas nascidos no país.

Mas se a maior superpotência global não busca definir o escopo de sua ameaça, a ameaça passaria a definir o país.

Na prática, a mensagem de Obama era de que mesmo se o terror continuasse, os americanos não deveriam deixar-se contagiar por isso.

Ao fim do discurso, houve também o sentimento de que ele teria exagerado e, por isso, terá de dar um passo atrás. Muitos integrantes da direita americana não devem aprovar a mensagem, considerando-a complacente e insuficientemente poderosa.

Por outro lado, Obama propôs novas regras para o uso dos drones (aviões não-tripulados) e disse que haveria maior escrutínio público.

Em uma frase emblemática, ele disse que sem tal escrutínio, “isso poderia levar o presidente e sua equipe a ver os drones como uma cura total para o terrorismo”.

No futuro, mortes civis terão de ser evitadas a todos custos e os drones só poderiam ser usados quando terroristas representassem uma ameaça real aos Estados Unidos e não puderem ser capturados.

Há novas regras para a prisão de Guantánamo, também.

A proibição de enviar os prisoneiros de volta ao Iêmen poderia ser removida e haveria um novo esforço de levar os detentos a julgamento.

Se a direita americana não aprovar o pleito de Obama, a esquerda tampouco ficará contente. Durante seu discurso, uma mulher o desafiou aos gritos e manifestantes que protestavam do lado de fora disseram à imprensa que Obama “ainda estava em guerra”.

Obstáculo

Há algo de familiar em tudo isso.

Na prática, tem a ver, para mim, com o dilema central do segundo mandato do presidente Obama.

Obama pede ajuda ao Congresso, mesmo sabendo que seus pleitos dificilmente serão aprovados.

Não se trata de mero obstrucionismo – muitos republicanos discordam da visão do presidente americano sobre o terrorismo.

Obama não está pedindo desculpas. Ninguém devem duvidar de seu compromisso em fechar a prisão de Guantánamo – uma das primeiras resoluções que ele assinou no dia em que ele tomou posse.

Mas o problema é que hoje está cada vez mais difícil para o presidente dos EUA convencer de que sua velha promessa poderá tornar-se realidade depois de acumular seguidos insucessos.

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