Testemunhas relatam misto de frieza e euforia de suspeitos em ataque em Londres

  • 23 maio 2013
polícia em Woolwich (foto: AP)
Image caption Polícia patrulha área perto do local onde soldado britânico foi morto em Woolwich

Testemunhas do suposto ataque terrorista que chocou Londres na quarta-feira contaram que os homens acusados de matar um soldado britânico em Woolwich, no sudeste da cidade, conversaram com pessoas que passavam pelo local, brandiram as armas do crime e gritavam palavras de ordem contra o governo britânico num misto de sangue frio e euforia.

Uma mulher que passava de ônibus em frente à cena do crime contou ao jornal The Daily Telegraph como se aproximou de um dos dois suspeitos e pediu que ele largasse suas armas.

A líder de escoteiros Ingrid Loyau-Kennett resolveu descer do ônibus ao ver um homem estendido no chão e o carro batido na calçada.

Ela se aproximou da vítima e checou seu pulso antes de confrontar um dos suspeitos, que carregava um revólver e uma faca.

"Ele estava coberto de sangue", disse Ingrid. "Achei melhor ir falar com ele antes que ele atacasse outra pessoa".

"Eu perguntei se ele gostaria de me passar o que ele estava segurando", contou.

'Isto é uma guerra'

A mulher, que é mãe de dois filhos, continuou conversando com o suspeito e perguntou se ele era o autor do crime.

"Ele respondeu que sim eu perguntei: por quê?" "E ele respondeu: ele é um soldado e eu o matei porque ele mata muçulmanos e estou farto com o fato de que muçulmanos estão sendo mortos no Iraque e no Afeganistão. Eles (soldados) não têm que ir para lá".

Ainda segundo a mulher, o homem não parecia estar sob o efeito de drogas ou bebidas alcoólicas. "Ele estava com raiva, mas sob controle total de suas ações", acrescentou Ingrid.

"E eu me aproximei dele para mostrar que não estava com medo e ele conversou comigo como se eu fosse uma amiga. E a gente continuou falando sobre o que estava acontecendo nesses países (Iraque e Afeganistão)".

Logo depois, Ingrid disse ter ouvido as sirenes de carros de polícia e ambulâncias chegando ao local.

"Eu disse: a polícia está chegando. O que você quer fazer agora?" "E ele respondeu: 'Isto é uma guerra e eu vou continuar nessa guerra'".

Joe Tallant, que estava passando pela rua onde ocorreu o crime, disse que viu os suspeitos brandindo as armas e que eles poderiam ter fugido antes da polícia chegar.

"A amiga da minha mãe foi confortar o homem morto no chão e um dos homens (suspeitos) disse que só mulheres podiam se aproximar do corpo", relembra Tallant.

"E eles (os suspeitos) pediam às pessoas na rua para chamar a polícia", disse o jovem. "Eles poderiam ter fugido facilmente antes da polícia chegar, mas parece que eles queriam ser pegos".

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