Hezbollah está 'invadindo a Síria', diz líder rebelde

  • 29 maio 2013
Membros do Hezbollah em funeral de colega morto em Qusair, na Síria (Reuters)
Image caption O grupo libanês Hezbollah tem combatido ao lado das tropas pró-Assad na Síria

O chefe militar do maior grupo de rebeldes oposicionistas sírios, o Exército de Libertação da Síria, acusou nesta quarta-feira o grupo libanês Hezbollah de "invadir" a Síria.

Em entrevista à BBC, o general Selim Idriss disse que mais de 7 mil combatentes do grupo xiita libanês - que tem apoiado o presidente sírio, Bashar al-Assad - estão atacando a cidade de Qusair, bastião rebelde no norte da Síria.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU condenou os ataques em Qusair, bem como o envolvimento de combatentes estrangeiros.

Idriss fez um apelo ao Ocidente. "Estamos morrendo. Por favor, venham nos ajudar", disse ao programa Newshour, do Serviço Mundial da BBC.

Ele também pediu armas, alegando que seus 1,5 mil rebeldes em Qusair têm apenas armamentos leves.

Segundo ele, mais de 50 mil moradores estão encurralados na cidade e podem ser vítimas de um "massacre".

Idriss afirma ainda ter recebido informações de que iranianos também estão participando da ofensiva.

Questionado quanto à presença de facções jihadistas na oposição síria, Idriss respondeu que esses combatentes de viés religioso são apenas "5% a 8%" dos rebeldes e que o tema recebeu cobertura exagerada na imprensa.

Mas ele afirma que, apesar de não não compartilhar da ideologia jihadista, não pode impedir ninguém de entrar na luta contra o regime Assad.

Por fim, Idriss pediu que a oposição síria no exterior compareça à conferência internacional que discutirá a guerra civil no país árabe, no mês que vem, em Genebra.

Ofensiva

Ainda nesta quarta, a imprensa estatal síria alegou que, na luta pelo controle de Qusair, tropas do regime obtiveram o controle de uma importante base aérea.

A emissora al-Manar, ligada ao Hezbollah, mostrou tanques sendo enviados à base aérea e soldados patrulhando o local.

A cidade tem sido palco de conflito há dias, em uma forte ofensiva das tropas pró-Assad para expulsar os rebeldes.

Qusair tem importância estratégica: por ela passam armas e combatentes vindos do Líbano, a 10km de distância.

A cidade também é importante para Assad, por estar localizada entre Damasco e a costa mediterrânea, bastião alauíta.

ONU

Em votação nesta quarta, por 36 votos a 1 e com 8 abstenções, o Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu uma investigação urgente a respeito dos supostos abusos cometidos por tropas pró-Assad e da presença de combatentes do Hezbollah em Qusair.

A resolução também condenou a participação de estrangeiros na guerra civil.

Já a Rússia, importante aliada da Síria, chamou a resolução de "odiosa", mas não tem voto no conselho neste ano. O Brasil votou a favor da resolução; a Venezuela foi a única a votar contra.

O texto foi redigido pelo Qatar, país que acredita-se estar apoiando forças da oposição - algumas delas também compostas por estrangeiros.

Antes da votação, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu que as potências internacionais parem de "encorajar" os rebeldes e de prover armas para ambos os lados do conflito.

Nesta semana, a União Europeia prometeu suspender um embargo de armas à Síria, medida que abre as portas para o fornecimento de armas a rebeldes.

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