Acusado por ataque em Buenos Aires está entre candidatos no Irã

Candidatos presidenciais  Foto BBC
Image caption Apenas seis candidatos participam de pleito nesta sexta-feira

Para concorrer nas eleições iranianas, todos os candidatos têm de receber a aprovação do chamado Conselho dos Guardiães – órgão que zela pela aplicação da lei islâmica no país e sofre grande influência do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei (desde 1989, chefe de Estado iraniano).

No caso das eleições para a Presidência do dia 14, apenas oito, de uma lista de mais de 600 pré-candidatos, passaram pelo crivo desse órgão - e, desses, dois já desistiram da disputa.

Dos seis que terão seus nomes inscritos nas cédulas eleitorais, quatro são considerados conservadores, um seria centrista e o último, independente.

Há indícios de que os reformistas poderiam tentar unir forças em torno do centrista Hasan Rouhani permitindo que ele chegue ao segundo turno.

Mohammad Reza Aref, o único reformista aprovado pelo Conselho dos Guardiães, desistiu da disputa na terça-feira, aparentemente depois de conversar com o ex-presidente Mohammad Khatami, líder reformista que apoia Rouhani.

Entre os conservadores, o favorito seria Saeed Jalili, principal negociador do Irã para questões nucleares.

Todos os candidatos, porém, são vistos como figuras leais a Khamenei. É improvável que qualquer um promova uma mudança real em temas ligados ao controverso programa nuclear iraniano - que levou EUA e a União Europeia a adotarem sanções contra o Irã -ou mesmo nas relações do regime com o Ocidente.

Confira aqui os perfis dos candidatos:

Saeed Jalili – Conservador

Image caption Jalili é o principal negociador nuclear iraniano

Principal negociador nuclear iraniano desde 2007, concorre à Presidência pela primeira vez, sendo visto como uma figura muito próxima ao líder supremo Ali Khamenei.

Sites iranianos o retratam como um intelectual "apegado a ideais islâmicos" e que leva uma "vida simples".

Acredita-se que implementaria uma política externa agressiva e resistiria a possibilidade de qualquer abertura interna.

Foi parte da força paramilitar Basij e serviu na guerra Irã-Iraque (1980-1988), perdendo a perna direita em combate. Também completou um doutorado, com uma tese sobre o "pensamento político no Corão".

Para seus críticos, carece de experiência administrativa para governar o país.

Hasan Rouhani – Centrista

Image caption Rouani seria o mais moderado entre os candidatos

Ocupou vários postos-chave no Parlamento do país e já foi representante de Khamenei no Conselho Supremo de Segurança Nacional.

Fluente em inglês, alemão, francês, russo e árabe, também atuou como negociador de temas ligados ao programa nuclear do país e hoje dirige um centro de pesquisas oficial.

Descrito como "moderado" ou "conservador pragmático", já criticou abertamente o presidente Mahmoud Ahmadinejad e tem o apoio do ex-presidente e líder reformista moderado Mohammad Khatami.

Durante manifestações estudantis em 1999, defendeu que os detidos por destruir patrimônio do Estado fossem condenados à morte se provada sua culpa.

Mais recentemente, porém, apoiou as manifestações que eclodiram após a eleição de 2009 e criticou o governo por se opor ao "direito das pessoas protestarem pacificamente".

Mohammad Baqer Qalibaf – Conservador

Image caption O prefeito de Teerã seria um tecnocrata

Crítico das políticas econômicas do atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, o atual prefeito de Teerã, é visto como um conservador pragmático - ou um "tecnocrata modernizador" leal ao líder supremo.

Na eleição presidencial de 2005 ficou em quarto lugar.

Foi comandante militar e da polícia e também serviu na guerra contra o Iraque.

Teria apoiado as táticas que conseguiram suprimir protestos estudantis em 2003 sem fazer nenhuma vítima fatal e foi o responsável pelas reformas que permitiram a entrada de mulheres na polícia.

Mohsen Rezai – Conservador

Image caption Rezai é procurado pela Interpol

Serviu por mais de 15 anos como comandante da Guarda Revolucionária.

Acusado pela Argentina de envolvimento no atentado de 1994 que matou 85 pessoas em um centro judaico em Buenos Aires, está na lista de procurados da Interpol.

Ficou em terceiro lugar nas eleições de 2009, com apenas 1,7% dos votos. Inicialmente contestou o resultado, desistindo do protesto depois que o líder supremo decidiu apoiar a vitória de Ahmadinejad.

É considerado um aliado próximo de Khamenei e um crítico do atual presidente, particularmente em questões econômicas.

Ali Akbar Velayati – Conservador

Image caption Velayati é assessor do líder supremo

Conselheiro de assuntos internacionais do Líder Supremo desde 1997 também foi o chanceler que mais tempo ficou no cargo.

Nascido em 1945 em Teerã, formou-se em medicina e foi vice-ministro da Saúde (1980-1981) e ministro das Relações Exteriores (1981-1997).

Muitos iranianos referem-se a Velayati como o "Senhor 'Posso?'", por causa do rumor de que ele sempre procura a permissão do líder supremo para tomar uma decisão.

Mohammad Gharazi – Independente

Image caption Gharazi não teria recursos para a campanha

A decisão do Conselho de Guardiães de aprovar sua candidatura surpreendeu muita gente, já que ele teria admitido que, além de ser independente de movimentos políticos, não tem recursos para gastar na campanha.

Descrito como uma figura moderada, promete focar seu governo no combate à inflação.

Antes da Revolução Islâmica, foi preso por suas atividades políticas e teve de se mudar para o exterior, onde estudou engenharia.

Desde 1980, foi ministro do Petróleo, ministro das Telecomunicações e governador das províncias de Cuzistão e Curdistão.

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