Sob críticas, Fifa aprova 'teste' no Brasil e diz que sai 'maior'

Joseph Blatter e Jerome Valcke  em coletiva de imprensa | Foto: AFP
Image caption Blatter (à dir): "Não temos plano B (para a Copa)"

Um dos principais alvos de críticas por parte dos grupos que vêm se manifestando contra os gastos públicos na organização da Copa do Mundo do ano que vem, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou nesta sexta-feira no Rio de Janeiro que a imagem da organização não foi arranhada pelos protestos e que a entidade sai "maior" da Copa das Confederações.

"Vocês (a imprensa) é que são os promotores da imagem, qualquer coisa que eu disser sobre a imagem, vocês têm sua própria opinião", disse ele em inglês após ser questionado pela BBC Brasil, para acrescentar depois, em francês (sua língua materna): "A Fifa sai engrandecida desta competição".

Durante a entrevista coletiva concedida no estádio do Maracanã, onde no domingo será disputada a final da Copa das Confederações, entre Brasil e Espanha, Blatter afirmou ainda que o Brasil passou no "teste" da competição.

A Copa das Confederações, que reúne os campeões continentais mais o último campeão mundial e o país anfitrião (Brasil), é considerada um "ensaio" para a Copa do Mundo, para que sejam testados alguns dos estádios que serão usados no mundial, além da infraestrutura das cidades-sede.

"Ainda temos duas partidas, mas de acordo com os relatórios que recebemos nesta manhã, posso dizer que o teste teve sucesso. Sabemos agora onde há coisas para mudar e sabemos especialmente as coisas boas que já foram feitas", afirmou Blatter.

O presidente da Fifa, que estava acompanhado do secretário-geral da entidade, Jerome Valcke, do presidente da CBF, José Maria Marin, do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, e do diretor-executivo do Comitê Organizador Local da Copa (COL), Ricardo Trade, fez a ressalva de que "no ano que vem, haverá uma nova dimensão".

"Aqui tivemos seis estádios e oito equipes, e no ano que vem teremos 12 estádios e 32 times", observou.

Apoio popular

Blatter também aproveitou a entrevista para rebater as críticas de que a Fifa se preocupa apenas com o lucro das competições que organiza e afirmou que as obrigações dos organizadores locais no Brasil para a Copa já estavam estabelecidas desde 2007, quando o país foi escolhido para sediar o mundial de 2014.

Blatter descreveu a reação dos brasileiros à escolha, há seis anos, como uma "grande fiesta (ele usou o termo em espanhol)" e citou uma pesquisa realizada pelo Ibope na semana passada, indicando que 71% da população brasileira apoia a realização da Copa do Mundo no país.

O dirigente procurou separar a entidade dos problemas que levaram às grandes manifestações no país nas últimas semanas, afirmando que as questões levantadas devem ser respondidas pelo governo, não pela Fifa.

"Entendo a agitação social, mas por outro lado, o futebol traz para todo o continente - porque o Brasil é um verdadeiro continente - estas emoções e esperança", afirmou. "Vimos a reação do gabinete do governo, prometendo mudanças, mas este é um problema político, não é um problema nosso."

'Nunca houve dúvidas'

O presidente da Fifa negou que a entidade houvesse pensado em algum momento em cancelar ou transferir a Copa das Confederações ou a Copa do Mundo do ano que vem, diante do acirramento dos protestos.

"Nunca houve dúvidas por parte da Fifa em relação a este torneio, nem pensamos em pará-lo ou em preparar um plano B", afirmou. "Temos confiança no governo e na população do Brasil, que gosta de futebol."

Blatter negou também que tivesse "fugido" das manifestações ao deixar o país logo após os primeiros jogos e retornar somente para as semifinais. Ele disse ter saído do Brasil por conta de seus outros compromissos como presidente da Fifa, para a abertura do Mundial sub-20, no dia 21.

Ele observou que o Mundial sub-20 é realizado na Turquia, país que também vem enfrentando grandes protestos populares nas últimas semanas.

Segundo ele, o futebol não deve parar mesmo em lugares que enfrentam crises ou problemas sociais, por dar emoção e esperança às pessoas.

"Também há agitação social na Europa. Também há protestos em Portugal, na Espanha, na Itália, na Turquia, na Grécia. E o futebol continua", disse. "Isso é o futebol. É esperança para as pessoas e emociona."

Notícias relacionadas