Deportação de Abu Qatada encerra batalha legal na Grã-Bretanha

  • 7 julho 2013
Abu Qatada (Foto AFP)
Image caption Abu Qatada vivia na Grã-Bretanha há duas décadas

O clérigo radical Abu Qatada foi deportado da Grã-Bretanha para a Jordânia neste domingo, encerrando uma batalha legal que se arrastava por oito anos.

Qatada vivia em território britânico há vinte anos e agora terá de responder por acusações de terrorismo em seu país.

A deportação foi viabilizada por um tratado assinado entre a Grã-Bretanha e a Jordânia que garante que provas obtidas mediante tortura não possam ser usadas contra o clérigo islâmico.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse estar satisfeito com a deportação. A ministra do Interior, Theresa May, também comemorou o fato de Abu Qatada ter deixado o território britânico e disse que pretende agilizar processos semelhantes no futuro.

"Precisamos dar sentido às nossas leis de direitos humanos e remover as muitas possibilidades de recursos disponíveis para os estrangeiros que queremos deportar", defendeu May.

"Estamos tomando medidas nesse sentido - inclusive por meio da nova lei de imigração."

Abu Qatada, de 53 anos, estava detido na prisão de Belmarsh, no sudeste de Londres, e teria sido acompanhado no voo de cerca de cinco horas até a Jordânia por três agentes de segurança jordanianos, um psicólogo, um médico legista e seu advogado.

Um amigo de sua família disse para a correspondente da BBC no Oriente Médio, Yolande Knell, que ao chegar ele foi levado direto para o Tribunal de Segurança do Estado.

Perfil

De origem palestina-jordaniana, Abu Qatada - cujo verdadeiro nome é Omar Othman - recebeu asilo na Grã-Bretanha em 1994, mas aos poucos passou a ser visto como uma ameaça pelos serviços de segurança britânicos por suas posições radicais.

Sermões do clérigo foram encontrados em um apartamento na cidade alemã de Hamburgo usado por alguns dos envolvidos nos atentados de 11 de setembro.

Além disso, Richard Reid, o inglês que tentou entrar em um voo de Paris a Miami com explosivos escondidos no sapato, teria admitido que procurou seu aconselhamento religioso.

O clérigo foi preso pela primeira vez em 2001, acusado de conexões terroristas, e a Grã-Bretanha decidiu deportá-lo em 2005.

Seus advogados, porém, conseguiram atrasar a deportação alegando que ele não teria um julgamento justo na Jordânia, onde é acusado de tramar um atentado contra turistas americanos e israelenses.

A disputa continuou até maio deste ano, quando Abu Qatada aceitou que o tratado entre Grã-Bretanha e Jordânia contribuiria para lhe garantir tal direito em seu país.

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