Egito: promotoria investiga acusações contra Morsi

  • 13 julho 2013
Manifestação de membros da Irmandade Muçulmana no Cairo (Reuters)
Image caption Desde que Morsi foi deposto, partidários realizam protestos

A promotoria do Egito informou neste sábado que está investigando alegações contra o presidente deposto Mohammed Morsi e contra membros da Irmandade Muçulmana.

Entre as alegações estão espionagem, incitar o assassinato de manifestantes, ataques contra quartéis e prejudicar a economia do país.

A promotoria não informou quem fez as alegações.

De acordo com o correspondente da BBC no Cairo James Reynolds, a medida da promotoria parece enfraquecer ainda mais a já remota perspectiva de uma reconciliação entre o governo interino do Egito e a Irmandade Muçulmana.

Morsi foi deposto no dia 3 de julho em um golpe de Estado e, desde então, está detido em um local não revelado.

Os militares, que alegam que não pretendem permanecer no poder, disseram ter agido em resposta aos pedidos de manifestantes em todo o Egito, que acusavam o presidente se estar se tornando autoritário e não ter conseguido dar alento à economia.

O político da Irmandade Muçulmana se tornou no ano passado o primeiro presidente democraticamente eleito da história do Egito.

O presidente interino do país, Adly Mansour, prometeu a realização de novas eleições no começo de 2014 e o Exército suspendeu a Constituição do país.

Nas últimas semanas dezenas de pessoas morreram em grandes manifestações contra e favor de Morsi.

Interrogatórios

A promotoria do Egito afirma que está investigando as alegações para preparar um inquérito no qual os acusados serão interrogados.

Entre os nomes citados junto com os de Morsi está o do líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e vários membros importantes do braço político da irmandade, o Partido Liberdade da Justiça, incluindo o vice-diretor do partido, Essam El-Erian.

Já foram expedidos mandados de prisão para Badie e outros líderes do movimento sob acusações de incitar a violência em frente a um quartel na capital, Cairo, na última segunda-feira. Mais de 50 pessoas foram mortas nos confrontos.

A Irmandade Muçulmana alega que foram disparados tiros contras seus membros enquanto eles faziam uma vigília pacífica, mas o Exército afirma que os soldados apenas reagiram depois de serem atacados.

Os partidários de Morsi, muitos deles membros da Irmandade Muçulmana, o movimento do qual o presidente deposto faz parte, estão fazendo grandes manifestações no Cairo, desde o golpe que derrubou o presidente.

A questão da detenção do presidente deposto Mohammed Morsi já gerou reações de outros países.

Na sexta-feira, o Ministério do Exterior da Alemanha pediu que as autoridades egípcias acabassem com as restrições impostas a Morsi e permitissem que uma organização internacional, como a Cruz Vermelha, tivesse acesso a ele.

Os Estados Unidos também já pediram a libertação de Morsi.

O porta-voz da Irmandade Muçulmana, Gehad el-Haddad, afirmou neste sábado que vão ocorrer mais protestos até que "o presidente seja libertado e volte ao cargo, não importando sua condição física".

A Irmandade afirmou também que a questão principal é "proteger o direito legítimo do povo e sua vontade por meio de uma eleição democrática".

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