Blusa com a palavra 'desempregado' gera polêmica na França

Blusa da marca Le Léon
Image caption Para os críticos, ideia menospreza os desempregados franceses (10% da população ativa)

Uma marca de roupas vem provocando polêmica na França ao lançar uma blusa masculina onde se lê a palavra "desempregado", o que a levou à suspensão da venda do modelo após inúmeras críticas nas redes sociais.

A grife de moda Le Léon colocou no ar, em 31 de julho, seu site de vendas e rapidamente conquistou notoriedade nacional com seu pulôver de casimira, que custava 285 euros (cerca de R$ 860), no qual se lê a expressão.

No site, a Lé Leon, que se diz "uma pequena marca parisiense contestadora", também dava, ao lado da foto da roupa, uma confusa definição do termo "desempregado", considerada irônica.

Em um país onde o desemprego atinge 3,2 milhões de pessoas (10,4% da população ativa) e deverá ser recorde este ano, muitos internautas se disseram chocados com a estratégia de utilizar um grave problema social para vender produtos de luxo.

Rapidamente, milhares de mensagens foram publicadas nas redes sociais. "A malha é feia e é uma provocação de última categoria", escreveu o internauta Julien Gilbert.

"Não é para interpretar ao pé da letra. Eu queria apenas algo bonito. Acho a palavra desempregado charmosa", disse o proprietário da marca, Léon Taieb, à France TV Info.

"No fim, todos somos um pouco desempregados. Podemos usar a roupa aos domingos", disse Taieb.

'Gosto duvidoso'

O preço do pulôver corresponde a quase 30% do valor do seguro-desemprego mensal recebido, em média, pelos franceses (cerca de 1 mil euros, segundo o Unedic, responsável pela gestão desse benefício social).

A imprensa francesa também se juntou aos críticos, ressaltando o "gosto duvidoso" da marca e "o menosprezo com os desempregados".

"Uma marca totalmente desconhecida não achou nada melhor para ficar sob os holofotes do que criar um pulôver de casimira, vendido por 285 euros, com a inscrição desempregado", escreveu o site da revista Le Nouvel Observateur.

"Em razão da violência das mensagens e das reações na internet, decidimos suspender a venda da malha", disse o proprietário da marca. O modelo foi suprimido do site na semana passada.

A Le Léon também recebeu inúmeros comentários irônicos de internautas. Isso porque a marca se diz parisiense e inclusive adotou como logotipo símbolos franceses como a baguete, a boina e as cores da bandeira francesa. No entanto, a malha era fabricada no Nepal.

"Espero que eles paguem corretamente os operários nepaleses", disse um internauta.

Lixeiros

A Le Léon também suprimiu da página de abertura do site uma foto de moda que mostrava um rapaz branco usando um modelo da marca entre dois lixeiros parisienses negros. A imagem foi considerada racista por vários internautas.

"Essa foto tinha apenas o objetivo de dar destaque para esses trabalhadores esquecidos por todos e mostrar os rostos de um país multicultural. É uma pena que tenha tido outras interpretações", afirmou Taieb.

Após a grande polêmica, a Le Léon, que tem como slogan "a contestação da monarquia absoluta", publicou em site um texto no qual afirma que seu "único objetivo é fazer sorrir com os nossos defeitos ou, ao contrário, provocar reações ao denunciar males da sociedade".

Alguns modelos da Le Léon são atualmente vendidos na badalada loja multimarcas Colette, em Paris, famosa por produtos de luxo a preços considerados altíssimos.

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