Tropas egípcias 'esvaziam mesquita' que abrigava grupo pró-Morsi

Forças egípcias dentro da mesquita | Foto: AFP
Image caption Tiros e bombas de gás lacrimogênio teriam precedido a evacuação da mesquita

Uma mesquita na praça Ramsés, no Cairo, se tornou um novo foco da disputa de forças entre a Irmandade Muçulmana e as Forças Armadas do Egito neste sábado.

Depois de intenso tiroteio na mesquita de al-Fath, local onde se encontravam centenas de apoiadores da Irmandade Muçulmana - que pede a volta do presidente islamita deposto Mohammed Morsi -, o prédio teria sido completamente evacuado, de acordo com fontes das forças de segurança.

E, em mais uma ofensiva contra o grupo político islâmico, o premiê interino do país, Hazem Beblawi, propôs a dissolução da Irmandade Muçulmana - organização que, alçada ao poder na eleição de Morsi, sempre foi tecnicamente banida (foi oficialmente vetada pelos militares em 1954, apesar de recentemente ter se registrado como ONG).

Beblawi declarou, por meio de porta-vozes, que os protestos que se espalham pelo país após a deposição de Morsi são "atos terroristas" e que o retorno da Irmandade Muçulmana ao poder é inviável.

A Irmandade, por sua vez, pede o retorno ao poder de Morsi - primeiro presidente democraticamente eleito do país que, enfraquecido por uma crise de popularidade e pela má situação econômica do Egito, foi derrubado por um golpe militar em julho.

Manhã tensa

Enfrentamentos entre simpatizantes da Irmandade Muçulmana e forças de segurança chegaram ao seu auge na quarta-feira passada, quando morreram ao menos 638 pessoas em confrontos no Egito, gerando forte condenação internacional.

As tensões prosseguiram na sexta-feira, com novos confrontos que deixaram ao menos 173 mortos, e com a ocupação, na última madrugada, da mesquita al-Fath - que, segundo as forças de segurança, não abriga mais nenhum manifestante.

Vários deles, que permaneciam em frente da mesquita formando uma barricada humana, foram presos.

Imagens da TV egípcia mostraram tiros sendo trocados entre um homem em uma das torres da mesquita e membros das Forças Armadas que estavam do lado de fora.

Fora do edifício, grupos de manifestantes tentavam reagir à ação das forças de segurança.

As batalhas entre os dois lados continuaram ao longo do dia, com trocas de tiros entre manifestantes e tropas.

A repórter da BBC Bethany Bell explica que as autoridades tentam evitar que simpatizantes da Irmandade Muçulmana formem novos acampamentos pela cidade - o desmantelamento destes resultou na morte de centenas de pessoas na quarta-feira passada.

Expectativa

Image caption Sem infraestrutura, Cruz Vermelha atende feridos nas ruas

Correspondentes dizem que o clima no Cairo continua tenso, com muitos homens das Forças Armadas e veículos armados nas ruas.

O Exército bloqueou todas as entradas da praça Tahrir - o palco principal dos manifestos que levaram à queda do líder Hosni Mubarak em 2011.

Enquanto isso, grupos que apoiam o Exército e o governo interino - a Frente de Salvação Nacional e o grupo Tamarod - estariam organizando manifestações em resposta aos protestos da Irmandade Muçulmana.

Mohammed Morsi, por sua vez, permanece detido, acusado de assassinato durante uma tentativa de fuga. O período de detenção do ex-presidente foi estendido por mais 30 dias, na quinta-feira passada, conforme dizem os veículos de informação do governo.

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