Justiça britânica restringe polícia na análise de laptop confiscado de brasileiro

  • 22 agosto 2013
David Miranda e Glenn Greenwald
Image caption David Miranda e Glenn Greenwald moram no Rio de Janeiro

A Justiça britânica decidiu nesta quinta-feira restringir o trabalho da polícia na análise do material eletrônico confiscado de David Miranda, parceiro do jornalista americano Glenn Greenwald.

Miranda, que é cidadão brasileiro, foi detido no domingo e interrogado por nove horas no aeroporto de Londres, dentro de uma lei antiterrorismo do país. As autoridades suspeitavam que ele portava informações sensíveis, em potencial ameaça à segurança nacional, e confiscaram seu laptop e outros equipamentos.

Na terça-feira, Miranda entrou com um processo na Justiça para impedir que a polícia fizesse uma devassa no material.

A Alta Corte britânica acatou parcialmente o pedido do brasileiro. A decisão impede que o governo e a polícia "inspecionem, copiem ou compartilhem os dados", mas abre uma exceção em casos que envolvem a segurança nacional.

Os advogados de Miranda argumentam que a detenção do brasileiro foi ilegal.

David Miranda viajava de Berlim para o Rio de Janeiro, onde vive com o jornalista Glenn Greenwald, conhecido por ter divulgado documentos secretos relativos a programas de vigilância eletrônica conduzidos pelo governo dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.

Ele teve nove itens confiscados – como laptop, telefone celular, pendrive e DVDs – durante o interrogatório em Londres, onde seu voo fazia conexão.

Miranda, Greenwald e o jornal The Guardian, para o qual o americano trabalha, acusam as autoridades de abuso de poder, e dizem que o episódio foi apenas para intimidar o trabalho de jornalistas investigativos.

Mas o governo britânico defende que a detenção foi correta.

Uma audiência para discutir se a inspeção policial foi justificada neste episódio está marcada para o próximo dia 30.

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