Dilma troca ministro após polêmica chegada de senador boliviano

  • 26 agosto 2013
Patriota e Dilma em julho de 2011. | Foto: AFP
Image caption Dilma agradeceu "empenho" de Patriota à frente do MRE

O Palácio do Planalto anunciou nesta segunda-feira que a presidente Dilma Rousseff aceitou o pedido de demissão do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

O cargo será ocupado pelo representante do Brasil na ONU, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo.

A saída de Patriota ocorre em meio à polêmica sobre a chegada do senador boliviano Roger Pinto Molina em território brasileiro.

Após ficar abrigado por 15 meses na embaixada brasileira em La Paz, o político boliviano entrou no país com a ajuda do encarregado de negócios da embaixada, Eduardo Saboia.

Em comunicado divulgado no domingo, o Ministério das Relações Exteriores afirmou só ter tomado conhecimento da chegada de Molina ao país quando ele já estava no Brasil.

O Itamaraty anunciou ainda que abriria um inquérito para apurar as circunstâncias da viagem do senador boliviano e tomar "medidas administrativas e disciplinares cabíveis" em relação à atuação de Saboia.

'Salvo-conduto'

O senador boliviano, que aguardava um salvo-conduto para sair do país, deixou a embaixada brasileira em La Paz no sábado e foi levado em um carro com placa diplomática, protegido por fuzileiros navais, até território brasileiro. Após passar por Corumbá (MS), ele desembarcou em Brasília na madrugada de domingo.

O parlamentar de 53 anos chegara à embaixada em La Paz em 28 de maio de 2012 e, dez dias depois, recebera asilo político do governo de Dilma. Ele pedia um salvo-conduto para conseguir deixar a Bolívia, alegando "perseguição política" por acusar funcionários do governo de corrupção e conivência com o narcotráfico.

O governo boliviano alega que Pinto está envolvido em pelo menos 14 crimes e se refugiou na embaixada para escapar da Justiça ─ que o condenou, em um dos casos, a um ano de prisão por supostos danos de US$ 1,7 milhão (R$ 4 milhões, em valores atuais) aos cofres públicos do país.

O salvo-conduto para sair da embaixada e viajar para o Brasil estava sendo negado pelas autoridades bolivianas, que alegavam que o senador respondia a processos judiciais no país.

À BBC Mundo, a filha do senador, Denise Pinto, a última visita do chanceler brasileiro Antonio Patriota fez a La Paz não resultou em avanços, apenas em "restrições": ele passou a não poder mais receber visitas de amigos, apenas da filha e de seu advogado.

Rio+20

Image caption Novo ministro conheceu presidente quando ela estava na Casa Civil

Em nota, Dilma agradeceu "a dedicação e o empenho do ministro Patriota nos mais de dois anos em que permaneceu no cargo". Patriota agora ocupará o cargo de Figueiredo na missão do Brasil na ONU.

Antes do anúncio, a presidente se reuniu com Patriota, no Palácio do Planalto, por cerca de 50 minutos na tarde desta segunda-feira.

O novo chanceler, Luiz Alberto Figueiredo Machado, de 57 anos, foi o negociador-chefe da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que aconteceu em 2012 no Rio de Janeiro.

Segundo a Agência Brasil, Figueiredo Machado "se destacou pela habilidade" durante a conferência e "conquistou a confiança da presidente Dilma Rousseff pela disposição em negociar pacientemente com os que resistiam a acordos".

Após a Rio+20, o diplomata foi nomeado representante do Brasil na ONU. A nomeação, ainda de acordo com a Agência Brasil, é considerada pelos diplomatas como valorização do profissional, já que a entidade é o principal órgão internacional de negociações multilaterais.

Figueiredo e a presidente se conheceram na Conferência das Partes (COP), na Dinamarca, quando ela ainda estava na Casa Civil.

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