EUA apostam em ‘senso comum’ para justificar ação na Síria

  • 27 agosto 2013
Chuck Hagel, secretário da Defesa dos EUA (BBC)
Image caption Secretário de Defesa dos EUA disse que país está pronto para agir contra a Síria

Em meio a debates sobre uma ação americana contra a Síria, alguns congressistas dos EUA querem ter o mesmo direito concedido a parlamentares britânicos - o de votar se o país deve ou não promover uma ofensiva militar em resposta ao suposto uso de armas químicas contra civis sírios.

A possibilidade de um ataque ganhou força nesta terça-feira, quando o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, afirmou à BBC que as Forças Armadas americanas estão prontas para um ataque à Síria caso a ordem para o início da operação militar seja dada pelo presidente Barack Obama.

O congressista republicano Justin Amash tuitou que o gabinete presidencial só pode passar por cima do Congresso e ir à guerra no caso de uma emergência nacional - ainda que isso já tenha sido feito antes.

É possível que Obama não tivesse dificuldades em conseguir autorização para uma ação militar, mas talvez a imprensa seja o único fórum em que uma eventual decisão seja debatida.

O secretário de Estado, John Kerry, e o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, lançaram ambos o mesmo argumento: de que o "senso comum" indica ao mundo que houve um ataque com armas químicas na Síria, perpetrado pelo presidente sírio, Bashar al-Assad.

'Circunstancial'

"O aparente número de vítimas, os supostos sintomas dos que foram mortos ou feridos, os relatos em primeira mão de organizações humanitárias em campo, como os Médicos Sem Fronteiras e a Comissão de Direitos Humanos da Síria - todos indicam fortemente que tudo o que essas imagens já nos dizem é verdadeiro: que armas químicas foram usadas na Síria", declarou Kerry.

"Além disso, sabemos que o regime sírio guarda essas armas químicas. Sabemos que eles têm a capacidade (de lançá-las) com foguetes", prosseguiu o secretário de Estado. "Sabemos que o regime está determinado a varrer a oposição dos locais onde os ataques ocorreram."

Tudo isso é circunstancial e joga um grande peso sobre o "senso comum". Ainda há questionamentos quanto à força das provas necessária para que uma resposta militar seja adotada.

Kerry está correto em pensar que muitos americanos compartilharão da mesma opinião que ele ao assistir às imagens televisivas das supostas vítimas dos ataques químicos.

Alguns, entretanto, exigirão provas mais contundentes do episódio, sobretudo levando em consideração que dados falhos de inteligência foram usados como justificativa para a Guerra do Iraque.

Obama liberou um relatório de inteligência para divulgação nos próximos dias, com uma análise mais detalhada do caso.

Congressistas americanos e parlamentares britânicos aguardam respostas mais contundentes - e o público aguarda um alto nível de escrutínio.

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