Cineasta diz que detenção de Miranda foi como 'negociar refém'

  • 27 agosto 2013
Laura Poitras, cineasta americana
Image caption Laura Poitras mora em Berlim e colabora com jornalismo investigativo de Glenn Greenwald

A cineasta americana Laura Poitras, que trabalha com o jornalista Glenn Greenwald e seu parceiro David Miranda nas revelações sobre o ex-agente de segurança Edward Snowden, comparou a detenção do brasileiro no aeroporto de Heathrow a uma negociação para libertação de um refém.

"Na medida que as horas passavam no domingo, os advogados do Guardian - jornal para o qual Glenn trabalha - procuravam se informar para saber onde David estava sendo detido; o embaixador brasileiro em Londres não conseguia qualquer informação; e Glenn tentava decidir se deveria tornar o caso público ou trabalhar nos bastidores, para se certificar que David seria solto, e não preso", escreveu Poitras em um artigo para a revista alemã Der Spiegel.

"Eu nunca passei por uma negociação de libertação de um refém, mas isso certamente parecia uma delas."

Laura Poitras mora em Berlim. Foi para se encontrar com ela que David Miranda viajou do Rio de Janeiro à Alemanha, com despesas pagas pelo jornal The Guardian.

Na volta, em conexão no aeroporto de Heathrow, ele foi detido e interrogado por nove horas pela polícia britânica. Todo o material eletrônico que possuía – parte dele com conteúdo enviado por Poitras para Greenwald – foi confiscado.

Poitras escreve na Der Spiegel que quando acordou no dia 18 de agosto recebeu um e-mail de Greenwald: "Preciso falar você o mais rápido possível".

Ao usar o canal de comunicação codificado que mantém com o jornalista americano, descobriu que o brasileiro havia sido detido em Londres.

Ela diz que esse tipo de abordagem policial não é inédita. Poitras diz ter sido detida e interrogada em Viena e em Nova York.

"Hoje eu moro no que era a Berlim Oriental. É estranho estar no antigo berço da Stasi [polícia secreta alemã] para expor os perigos do monitoramento governamental, mas isso me dá esperança", escreve ela na revista alemã.

"Há uma memória profunda entre os alemães do que acontece com as sociedades quando os governos espionam e miram em seus próprios cidadãos."

A detenção de Miranda provocou críticas de jornais e órgãos de imprensa à polícia britânica. Eles acusam as autoridades britânicas de abusar de uma lei antiterrorismo para intimidar a imprensa.

O governo brasileiro também pediu explicações sobre o episódio.

O governo britânico defendeu a ação policial, dizendo que não houve nada de irregular na detenção do brasileiro.

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