De que lado ficam os países na crise da Síria

  • 28 agosto 2013

As cenas mostrando a intoxicação de jovens e crianças em um suposto ataque com armas químicas na Síria acendeu a luz amarela em relação ao conflito.

Os Estados Unidos já sinalizaram que um ataque deve ocorrer nos próximos dias, com consequências ainda incertas para a região.

Mas e os outros países, de que lado ficam no desenrolar da crise? Confira:

No Oriente Médio

Turquia

O governo turco tem sido um dos críticos mais ácidos ao presidente sírio Bashar Al-Assad. O chanceler turco, Ahmet Davutoglu, já disse que o país está pronto para integrar uma coalizão internacional contra a Síria, caso o Conselho de Segurança da ONU não determine uma ação militar.

Arábia Saudita e monarquias do Golfo

As monarquias do Golfo vêm desde o início do conflito financiando as forças de oposição a Assad. A Arábia Saudita é um rival do regime sírio há anos e tem atuado no campo diplomático para angariar apoio internacional aos grupos rebeldes.

Israel

Embora tenha tentado se manter longe do conflito, Israel por três vezes bombardeou a Síria este ano, alegando ataque preventivo contra supostos carregamentos de munição do grupo extremista libanês Hezbollah.

O país também respondeu ataques a tiros vindo da Síria contra alvos nas Colinas de Golã, território sírio ocupado por Israel.

Nos últimos dias, autoridades israelenses condenaram o suposto ataque com armas químicas e indicaram apoio a uma ação militar internacional.

"Nosso dedo deve estar a postos. O nosso é um dedo responsável que, se necessário, estará no gatilho", disse o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

Image caption Países árabes temem que intervenção espalhe conflito pela região

Israel sabe que um ataque internacional à Síria pode repetir o contexto da Guerra do Golfo, em 1991. Na ocasião, o Iraque atacou Tel Aviv com mísseis Scud em uma tentativa de arrastar Israel para o conflito.

Líbano

O chanceler libanês, Adana Mansour, disse que não apoia a ideia de um ataque à Síria. "Não acho que essa ação serviria à paz, à estabilidade e a segurança na região", diz.

Dois ataques à bomba ligados ao conflito sírio mataram quase 60 pessoas no Líbano neste mês. O grupo Hezbollah, que é muçulmano xiita, se colocou abertamente ao lado de Assad (que é muçulmano alauita, um ramo do xiismo).

Por outro lado, há grupos sunitas libaneses apoiando os rebeldes sírios (majoritariamente sunitas).

O Líbano também recebeu milhares de refugiados sírios, sendo o destino mais procurado por quem foge do país em guerra.

Irã

A República Islâmica do Irã (de orientação xiita) tem sido o maior apoiador do regime sírio na região. Nesta semana, o Irã alertou uma alta autoridade da ONU em visita a Teerã das "sérias consequências" de qualquer ação militar.

O chanceler Abbas Araqchi também disse que os supostos ataques com bombas químicas foram perpetrados pela oposição, e não pelo regime de Assad.

Fora da região

Estados Unidos

Após a cautela inicial em relação aos supostos ataques químicos, os Estados Unidos subiram o tom. O secretário de Estado, John Kerry, disse que o uso de armas químicas pelo regime sírio era "inegável" e uma "obscenidade moral".

Desde então, Washington aumentou a presença militar naval no Mediterrâneo, alimentando os rumores de que um ataque é iminente. A expectativa dos analistas é que os americanos lancem um ataque de uma base naval com mísseis apontados para instalações militares sírias.

Reino Unido

Principais aliados dos americanos, os britânicos já organizam um plano militar de contingência, segundo o gabinete do primeiro-ministro David Cameron. Qualquer ação será "proporcional", dentro da lei e seguirá o que for decidido pelos aliados internacionais, disse um porta-voz de Cameron.

Image caption Secretário de Defesa dos EUA diz que tropas americanas estão prontas para ação

Na segunda-feira, o chanceler William Hague disse à BBC que a pressão diplomática sobre a Síria fracassou e que o Reino Unido, "os Estados Unidos e muitos outros países, incluindo a França, estão certos de que não podemos aceitar no século 21 a ideia de que armas químicas possam ser usadas com impunidade".

França

Um dia após a veiculação das imagens do suposto ataque químico, o chanceler Laurent Fabius pediu uma "reação de força" caso se comprovasse o uso de tais armas.

A França está entre os países com a retórica mais dura contra Assad. Foi o primeiro país ocidental a reconhecer o principal grupo opositor como representante legítimo do povo sírio.

Junto ao Reino Unido, a França também pressiona a União Europeia para que esta levante o embargo de armas à Síria, a fim de fornecer armamentos aos rebeldes.

Rússia

A Rússia é um dos mais importantes aliados do regime de Assad e tem advogado por uma solução diplomática para a crise. Qualquer iniciativa contra a Síria no Conselho de Segurança também seria vetada pelos russos.

Moscou já criticou qualquer possibilidade de ataque internacional, dizendo que decisões tomadas fora do Conselho de Segurança poderiam ter "consequências catastróficas para outros países do Oriente Médio e do norte da África".

China

A China se juntou à Rússia ao bloquear resoluções contrárias à Síria no Conselho de Segurança. Também falou contra um provável ataque internacional contra os sírios.

A agência de notícias estatal chinesa Xinhua disse que os países ocidentais têm chegado a conclusões precipitadas sobre o suposto ataque químico antes mesmo da inspeção da ONU.

Brasil

O Brasil desde o início procurou se manter afastado da crise síria, sendo inclusive alvo de críticas ao pedir uma solução diplomática para o conflito em momentos que os aliados ocidentais defendiam uma postura mais contundente.

Após o suposto ataque químico, o Itamaraty soltou nota dizendo "que o ataque perpetrado nos arredores de Damasco (...) constituiu ato hediondo, que chama a atenção da comunidade internacional para a necessidade de esforços concentrados".

Apesar do tom mais duro, o Brasil ainda "reitera sua posição de que não existe solução militar para o conflito e recorda seu apoio à convocação de conferência internacional sobre a situação síria".

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