Lucas Mendes: Síria, quem ganha e quem perde?

  • 29 agosto 2013

Na tela da televisão os números das redes de finanças e economia mostram quem lucrou com a ameaça de Barack Obama de atacar o governo sírio.

O petróleo teve a maior alta em 2 anos e as bolsas no mundo perderam mais de US$ 800 bilhões. Quem apostou na alta do petróleo e nas quedas das bolsas, ganhou. E ganhou de novo quando comprou ações na baixa quarta de manhã. Já subiram.

Minha teoria conspiratória é inspirada nos meus livros de histórias em quadrinhos do Super Homem. Um grupo da Intergang da Metropolis, em busca de mais fortuna, compra mísseis químicos no mercado negro, contrata meia dúzia de terroristas para dispará-los contra a população civil. Depois aposta milhões na alta do petróleo e na queda das bolsas. Se apostassem só numa bolsa seria fácil identificar os ganhadores mas com o dinheiro espalhado por dezenas de bolsas pelo mundo é mais difícil.

Fiquei surpreso de não encontrar este enredo elementar na enorme lista de filmes conspiratórios. Há centenas deles. Também tinha pensado no filme Siriana, do George Clooney, mas a trama é diferente. O meu será o Siriana 2.

Dos enredos conspiratórios, o mais próximo ocorre em um episódio da série 24 onde um terrorista explode uma arma química no Oriente Médio para justificar o envio de tropas americanas. A arma foi fornecida pela CIA. Super conspiratório.

Há outras teorias na mesa. O Irã e a Rússia são os países mais interessados em ver os Estados Unidos atolados numa terceira guerra invencível que vai exigir tropas, armas e dólares durante vários anos. São suspeitos?

Fazer estas elucubrações é fácil. Difícil é explicar para os americanos o que Bashar al-Assad tinha a ganhar com um ataque de armas químicas. A situação dele na guerra civil melhorou nas últimas semanas. Muito mais lógico é um veneno vindo dos rebeldes, que não conseguem fazer progressos e precisam enfraquecer Al-Assad.

Uma ajuda de americanos, ingleses e franceses poderia decidir a parada a favor dos rebeldes, entre eles membros da Al Qaeda, do Hamas e Hezbollah. Os moderados perderam terreno.

Há outras respostas para a pergunta "por que Bashar al Assad teria lançado as armas?".

1 - Para desafiar a comunidade internacional e projetar firmeza.

2 - Para aterrorizar a população civil que ainda não fugiu e abriga os rebeldes.

3 - Aumentar a pressão nos rincões rebeldes que ainda resistem.

Há duas outras teorias: Quem lançou os mísseis errou na dose ou o irmão de Al-Assad, Maher, o terrível líder da guarda republicana, teria disparado os mísseis por conta própria.

Já morreram mais de 100 mil sírios, 2 milhões saíram do país e vivem miseravelmente em campos de refugiados. O que aconteceria com eles depois da queda de Al-Assad, seguida de uma guerra pelo poder entre os rebeldes?

Ou, mesmo sem uma guerra, se os rebeldes da Al Qaeda assumissem o poder? Bashar al-Assad ou Al Qaeda, qual dos dois é pior?

A maioria dos americanos, por grande margem, 90% numa das pesquisas, é contra uma operação militar na Síria. Os políticos estão divididos.

Há conservadores pró e contra uma intervenção. Os a favor argumentam que se for provado pelos inspetores da ONU que Al-Assad foi responsável pelo ataque e Obama não fizer nada, perderá credibilidade internacional.

Porque o Irã, a Coreia do Norte ou qualquer outro país deveria ter medo das ameaças dele?

Uma grande operação está fora dos planos. Se a comissão da ONU garantir que as armas vieram de Al-Assad, pelo rufar dos tambores, haverá uma intervenção cirúrgica, minimalista para destruir comunicações, depósitos de armas e bases aéreas.

Mas e se os inspetores da ONU disserem que os mísseis podem ter vindo dos rebeldes? O preço do petróleo vai cair, a bolsa vai subir e a Intergang vai sair no lucro.

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