Como softwares de conversa online mudaram a vida das pessoas

  • 30 agosto 2013
John Carr conheceu a netinha, Ruby, via Skype assim que ela nasceu

Faz 10 anos que o Skype entrou em cena. O serviço de bate-papo por vídeo não foi o primeiro software a permitir que as pessoas fizessem ligações pela internet.

Mas ao possibilitar chamadas feitas diretamente de um computador para outro – e de graça –, o Skype ajudou a popularizar o conceito.

Tanto que hoje o Skype enfrenta diversos concorrentes, como o Google Hangouts, o Facetime da Apple, o BBM do do Blackberry, o Tanto e o Viber.

Mas nesse décimo aniversário do Skype, é importante refletir sobre o impacto que as tecnologias podem ter na vida das pessoas.

Avós e netos

Um exemplo é o casal Lu Yang e Hamid Sirhan. Quando os recém-casados, que vivem em Londres, decidiram ter um bebê, eles sabiam que os pais de Lu não conseguiriam vir para o parto e nem visitá-los frenquentemente.

Mas quando a recém-nascida Yasmina foi levada para casa, uma chamada de vídeo permitiu que os avós conhecessem a netinha, mesmo estando em Pequim.

"Nós falamos com eles todas as noites. E esse é o único jeito para que eles possam ver a netinha crescer", diz Yang.

"Eles não têm como pagar uma viagem para Londres no momento e a gente também não tem como ir para lá agora."

Yang afirma ainda que ela também usa essa tecnologia para propósitos mais sérios. Até recentemente, ela trabalhava para um instituição em Londres que ajudava jornalistas perseguidos em todo o mundo.

"Esse é o único jeito para entrar em contato com certos jornalistas de países com regimes repressivos", diz Yang.

"Eles podem ser mortos se tentarem entrar em contato conosco usando um telefone, para discutir uma matéria que eles estejam escrevendo, que normalmente são sobre crime e corrupção."

Doutores robôs

Essa tecnologia também vem sendo aproveitada na área médica.

O médico Maneesh Batra, do Hospital Infantil de Seattle, nos Estados Unidos, é um bom exemplo. Ele liga frequentemente para o Hospital Kiwoko, na zona rural de Uganda, para ajudar médicos locais.

Segundo ele, na hora de explicar procedimentos complicados, usar chamadas em vídeo é muito mais fácil do que tentar fazer isso por email ou por uma ligação comum.

Uma equipe de pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), também nos EUA, está tentando ir um passo além com uma empresa chamada iRobot.

Eles criaram uma máquina que desliza pelos corredores de um hospital, permitindo que profissionais da saúde falem com pacientes em outros prédios. Para isso, um robô com uma tela de 38 centímetros, uma câmera e um microfone se conecta a um sistema de vídeo-conferência da empresa Cisco.

"De um lado, há população envelhecendo e uma crise sobre como fornecer cuidados médicos a essas pessoas. De outro, há a tecnologia robótica. Então, basta colocar essas duas coisas juntas e teremos algumas soluções", diz Jeff Beck, da Cisco.

'Unindo vidas'

A gigantes da tecnologia Microsoft comprou o Skype em 2011 por US$ 8,5 bilhões. E, como é de se esperar, o vice-presidente da empresa para o Skype, Mark Gillett, tem sua própria história favorita sobre como essa tecnologia pode "unir a vida das pessoas".

"Há cerca de um ano, vi alguns retratos em que as pessoas ligaram seus laptops em um projetor e (usaram o software) para unir a família e tirar uma foto", conta.

"Era uma família dividida na Coreia do Norte e na China. Eles jamas conseguiriam estar jutnos de outro jeito. Era uma representação visual e gráfica do poder que o vídeo tem de dissolver a geografia."

Abusos

Mas apesar de todos os benefícios, também uma lado negro no crescimeto da tecnologia de vídeoconferência.

No início dessa semana, um cadete australiano foi julgado e considerado culpado por usar o Skype para transmitir, para o computador do quarto de uns amigos, o momento em que ele e uma colega faziam sexo – sem que ela soubesse.

O caso fez com que o governo ordenasse uma revisão profunda de acusações de sexismo no Exército.

Também há inúmeros casos em que criminosos usam essa tecnologia para convencer jovens a posar em poses sugestivas e depois usar as gravações para chantageá-los e assim obrigã-los a continuar posando.

"O fato é que essas pessoas podem usar esse tipo de software e também meios para dificultar que eles sejam encontrados. Isso significa que pode haver abusos, em alguns casos, muito graves", diz John Carr, secretário do Comitê das Organizações Infantis para uma Internet Segura.

"É por isso que os pais precisam conversar com as crianças sobre o cuidado necessário sobre com quem eles conversam online."

Bênção

No entanto, ele afirma que a vídeo-conferência recentemente foi uma bênção para sua família.

Tudo começou quando sua filha que morava no Camboja ficou grávida e, junto com o marido, resolveu voltar para a Grã-Bretanha para ter o bebê. No entanto, o genro cambojado de Carr foi barrado na imigração britânica, e o casal voltou para o país asiático.

Assim, Carr não conseguiu estar presente no grande dia – mas um tablet o ajudou a não perder por completo o nascimento da neta.

"Com o Skype ligado no iPad, começamos a acompanhar tudo cerca de um minuto após a chegada de Ivy. Vimos quando ela foi colocada no peito da mãe, ainda estava ligada ao cordão umbilical."

"Alguns dos primeiros sons que Ivy ouviu foi o pai dela falando em khmer (idioma oficial do Camboja). E as corajosas parteiras todas chorando."

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