Nomeação de novo secretário de Estado revela 'desmonte' de equipe de Bento 16

Pietro Parolin / Reuters
Image caption Pietro Parolin ocupará cargo que pertenceu a Tarcisio Bertone.

A nomeação do novo secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, pelo papa Francisco revela o início do desmonte da administração de Bento 16, que renunciou ao pontificado em fevereiro deste ano.

Segundo o correspondente da BBC em Roma, David Willey, a indicação de Parolin para o cargo marca o início da substituição ou da demissão de inúmeros membros-chave da equipe administrativa do pontífice emérito.

Antes de ser nomeado, Parolin, que é italiano, atuava como núncio, uma espécie de embaixador da Santa Sé, na Venezuela.

Aos 58 anos, ele substitui Tarcisio Bertone, que está se aposentando.

Bertone, de 79 anos, indicado para o cargo por Bento 16, foi duramente criticado no ano passado pelo que ficou conhecido como o escândalo do Vatileaks.

O Vatileaks foi o nome dado ao vazamento de documentos sigilosos que revelavam casos de corrupção e disputas no coração da Santa Sé.

No Vaticano, o secretário de Estado é responsável por chefiar a Cúria Romana, o órgão administrativo da Igreja Católica, também desempenhando a função de conselheiro-chefe do papa.

Por meio de um comunicado, Parolin afirmou que ofereceria ao papa "sua completa disponibilidade para trabalhar com ele e sob sua batuta para a maior glória de Deus, o bem da Santa Igreja e o progresso e a paz".

Mudança

No início de seu pontificado, o papa Francisco já havia acenado com mudanças. Uma de suas primeiras promessas foi acabar com os abusos no banco do Vaticano, oficialmente conhecido como Instituto para Obras Religiosas.

Logo após assumir o cargo deixado vago com a renúncia de Bento 16, o argentino montou uma comissão para investigar a instituição financeira.

Posteriormente, ele emitiu um decreto para combater a lavagem de dinheiro.

Os escândalos do Vatileaks vieram à tona em 2012, quando o ex-mordomo do papa Bento 16, Paolo Gabrieli, publicou documentos confidenciais de departamentos do Vaticano com acusações de corrupção e má administração.

Gabriele foi condenado a 18 meses de prisão por roubar os papéis, mas foi posteriormente perdoado pelo pontífice emérito.

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