Governo sírio diz que ação dos EUA seria como apoio à Al-Qaeda

  • 2 setembro 2013
Combatente do Jabat al-Nusra lutando na Síria
Image caption Combatentes de grupos como Jabat al-Nusra são os mais beneficiados, segundo a Síria

O governo da Síria disse neste domingo que qualquer ação militar americana contra o país seria equivalente a um apoio dos Estados Unidos à "Al-Qaeda e seus grupos afiliados".

O vice-ministro das Relações Exteriores da Síria, Faisal Mekdad, disse em entrevista à BBC que grupos armados apoiados pelos Estados Unidos foram responsáveis pelo uso de armas químicas no conflito interno do país – e não o governo.

No fim de semana, o presidente americano, Barack Obama, prometeu uma resposta contra a Síria, mas disse que qualquer ação depende de aprovação prévia do Congresso.

Mekdad disse que um eventual ataque americano beneficiaria dois grupos ligados à Al-Qaeda: o Jabat al-Nusra e o Estado do Islã na Síria e no Iraque. Ambos vêm desempenhando uma papel importante na insurgência contra o regime de Bashar al-Assad.

O vice-ministro sírio – que é tido como muito influente no governo de Al-Assad – disse que uma intervenção americana no país aprofundaria o "ódio aos americanos" no Oriente Médio e desestabilizaria a região.

Mekdad disse que o fato de Obama ter recuado no fim de semana, pedindo agora aprovação do Congresso americano, é um sinal de que o presidente americano não pensou com cuidado em todas as consequências que uma ação teria.

Mas ele acredita que o recuo de Obama não fará muita diferença.

"Isso não mudou nada, já que ele está decidido a lançar um ataque."

Ele acredita que a decisão americana será tomada em defesa dos interesses de Israel.

Gás sarin

O fim de semana teve diversos desdobramentos do caso sírio:

  • Ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe, reunidos no Cairo, pediram que a comunidade internacional "adote ações necessárias" contra a Síria. Mas diversos países – como Líbano e Iraque – não apoiaram à manifestação.
  • A Jordânia – um dos principais aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio – descartou qualquer envolvimento em uma eventual coalizão de forças contra a Síria.
  • O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrult, vai se encontrar com líderes parlamentares para falar sobre planos de uma ação militar francesa. O governo da França está comprometido com os planos americanos na Síria.

No sábado, inspetores da ONU deixaram a Síria. Eles estão agora analisando dados coletados sobre possíveis ataques com armas químicas.

O maior ataque com armas químicas aconteceu no dia 21 de agosto, em subúrbios ao leste da capital Damasco. Os Estados Unidos disseram que mais de 1,4 mil pessoas morreram, incluindo 426 crianças.

Estados Unidos e França acusam o regime sírio de usar armas químicas, e dizem que isso justificaria uma ação militar internacional no país. A Síria nega as acusações, e culpa os insurgentes que há dois anos lutam contra o governo.

No domingo, o secretário de Estado americano, John Kerry, disse que os Estados Unidos têm provas de que o agente químico nervoso sarin foi usado em um ataque mortal em Damasco no mês passado.

Kerry disse que amostras de cabelo e sangue, reunidas após o ataque de 21 de agosto, apresentaram resultado "positivo para o uso de sarin" .

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