COI precisa mostrar legado da Olimpíada aos brasileiros, diz novo presidente

  • 10 setembro 2013
Thomas Bach | Foto: AFP
Image caption Bach diz que é preciso ter um diálogo mais próximo com a população, após os protestos no Brasil

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro podem ser marcados por protestos caso o Comitê Olímpico Internacional (COI) não explique à população os benefícios dos jogos. Esta é a opinião do novo presidente do Comitê, Thomas Bach.

Aos 59 anos, o engenheiro alemão e medalhista de ouro em esgrima ocupa o lugar que por 12 anos foi de Jacques Rogge.

Em entrevista à BBC antes de sua eleição, ele disse que sua prioridade é trabalhar para que os jogos de inverno de Sochi, este ano, na Rússia, transcorram sem transtornos, após problemas com atrasos, revisão de orçamento e o clima mais quente que o esperado.

Bach também está ansioso com possíveis problemas nos Jogos do Rio, em 2016, após a onda de protestos que varreu o Brasil nos últimos meses.

O esgrimista alemão afirma que é preciso agir com urgência para que as Olimpíadas não virem alvo de protestos, como aconteceu com a Copa das Confederações.

"Temos de comunicar de forma muito intensa as vantagens dos jogos olímpicos à sociedade do Rio de Janeiro", diz.

"Temos de mostrar que com a vila olímpica teremos casas mais baratas, dizer às pessoas como as obras de infraestrutura vão melhorar o trânsito."

Bach defende o "diálogo" com a sociedade, sobretudo com quem está protestando.

"Não se pode parar os protestos. É uma sociedade democrática e você nunca terá 100% de apoio para o plano. Mas com diálogo e comunicação você verá como é possível convencer as pessoas."

Sustentabilidade

No domingo passado, Tóquio foi escolhida para sediar os jogos de 2020, derrotando Istambul e Madri.

Não foram poucas as críticas sobre o peso dos custos em eventos esportivos durante a campanha. Bach acha que o processo precisa ser revisto.

"Poderíamos ter outro olhar, dizendo às cidades candidatas: 'Como vocês imaginam que seriam jogos sustentáveis na sua cidade?', 'Como isso entraria em seu plano de desenvolvimento, no que se refere a transporte, infraestrutura e questões sociais?'", diz.

"Aí você terá um conceito que cabe na cultura e na sociedade de cada cidade, e não será como um manual de candidato, que são sempre os mesmos e escritos pelas mesmas pessoas."

Pressão

Bach chegou à presidência do COI sob pressão. Na última semana, uma televisão alemã disse que sua campanha para o comando do Comitê era apoiada por Sheikh Ahmed Al-Fahad Al-Sabah, membro da realeza do Kuwait e um um estrategista de peso no COI.

Segundo a TV alemã, Sheikh Al-Sabah expressou que apoiou Bach porque, ele mesmo, busca chegar ao comando do COI a alguns anos.

Segundo as normas éticas do Comitê, seus membros não podem apoiar abertamente qualquer candidato.

Bach também está sob pressão por causa de um inquérito que investiga alegações de doping estimulado pelas autoridades da antiga Alemanha Ocidental durante os anos 1970, quando competia como atleta.

Bach falou à BBC pouco antes da notícia vir à tona. Na ocasião disse que "não há tempo para complacência".

"Todo dia você precisa ver como melhor e assegurar a credibilidade do esporte", afirmou.

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