Brasil busca cooperação com Argentina contra espionagem internacional

Celso Amorim
Image caption Amorim disse que o Brasil precisa desenvolver tecnologia nacional contra ameaça estrangeira

O ministro da Defesa, Celso Amorim, defendeu, nesta quinta-feira, uma maior integração dos países da América do Sul para proteção regional contra a espionagem internacional. Ele propôe que seja intensificada a defesa cibernética dos recursos da região.

"Na área de defesa, temos muito interesse em desenvolver uma concepção que possa abranger toda a America do Sul. Até porque eu acho que o caso recente, supondo que seja verdadeiro, ilustra como essa questão da cibernética e da coleta de dados está ligada aos recursos naturais, recursos em geral, e às tecnologias do país", disse o ministro.

As declarações foram feitas em meio a controvérsia de que a Agência Nacional de Segurança (NSA), dos Estados Unidos, teria espionado autoridades brasileiras e a Petrobrás.

"Temos energia, petróleo, alimentos, água, auíferos, geleiras. E acho que temos que ser capazes de proteger esses recursos e nunca seremos capazes se não tivermos uma adequada defesa cibernética", afirmou. Ele afirmou ainda que a questão cibernética não seria somente contra "hackers".

"Uma coisa é um hacker ou grupo de hackers, e outra coisa é enfrentar a espionagem de um Estado. A gente tem que estar prevenido para evitar que isso ocorra. Mas não é só espionagem, é o risco de sabotagem", disse.

'Arma cibernértica'

Image caption Ida de Amorim à Argentina ocorre após escândalo de espionagem revelado pelo ex-agente Snowden

Amorim está em Buenos Aires à convite do colega argentino Agustín Rossi, com quem se reunirá nesta sexta-feira. Será o primeiro encontro dos dois após as revelações feitas a partir de documentos divulgados por Edward Snowden. O ministro está acompanhado do comandante do Centro de Defesa Cibernética do Exército brasileiro, general José Carlos dos Santos.

"O general veio comigo para também discutirmos possibilidades de cooperação com os argentinos nessa área de defesa cibernética que eu acho que é a mais importante área para a defesa no século 21", afirmou.

O ministro afirmou ainda que acha que a "arma" cibernética pode causar "destruição em massa". Ele citou como exemplo um eventual ataque contra o sistema elétrico.

"Nós temos que estar preparados para nos defender e é muito importante a cooperação do Brasil com a América do Sul, a começar pela Argentina. Essa será uma das mensagens trazemos aqui (nestes dois dias) em Buenos Aires".

Segundo ele, a cooperação ainda está nos passos "iniciais", mas que "devem ser rápidos porque o mundo avança rapidamente".

Quando perguntado se o Ministério da Defesa foi pego de surpresa com as informações sobre a espionagem americana no Brasil, Amorim reconheceu que o Exército "não está habilitado para uma defesa mais ampla". O ministro disse que espera uma maior "estrutura" para esse fim.

Atlântico Sul

Amorim afirmou que o Atlântico Sul representa "preocupação fundamental na área de defesa nacional".

"Evidentemente, nossa preocupação com o Atlântico Sul é enorme e isso explica a produção de navios menores e a aquisição de navios patrulha e o submarino nuclear", disse.

Amorim afirmou que o submarino nuclear justifica-se porque como o Brasil "tem a maior costa atlântica do mundo, tem de ser capaz de policiá-la adequadamente".

Segundo o ministro, a melhor maneira de realizar esse policiamento é com o submarino – "quando não se é visto".

Dilma

Amorim declarou que a presidente Dilma Rousseff recomendou "interesse redobrado nas questões da defesa", após as informações sobre espionagem virem à tona.

O ministro relatou que se reuniu com os comandantes militares para saber das vulnerabilidades da defesa brasileira, com o objetivo de "diminuí-las".

"Não adianta acharem que vamos resolver nossas vulnerabilidades comprando um software no exterior. Não é nenhuma xenofobia nesse sentido. Mas é que defesa por definição não pode ser delegada. Se tem uma área que precisa ser desenvolvida é a da tecnologia brasileira", disse.

Além da reunião com o ministro da Defesa da Argentina, que foi recentemente empossado, Amorim também se reunirá com a presidente Cristina Kirchner.

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