Investimento em cuidado com idosos precisa triplicar até 2050, diz estudo

  • 19 setembro 2013
Alzheimer (Getty)
Image caption Organizações alertam para uma epidemia global de Alzheimer

O número de pessoas idosas que precisam de cuidados no mundo todo deve praticamente triplicar em 2050, segundo um estudo divulgado pela organização Alzheimer Disease International.

O número de pessoas nessa situação saltará de 101 milhões para 277 milhões até lá, parte delas também sofrendo demência. Tanto que o relatório reforça o alerta para uma "epidemia global de Alzheimer".

O Mal de Alzheimer é a causa mais comum de demência, cujos sintomas incluem perda de memória, mudança de humor, problemas com comunicação e de raciocínio.

De acordo com o estudo, países como Índia e China sofrerão duros golpes, e precisam começar a planejar como lidar com o problemas.

Isso porque mais da metade das mais de 35 milhões de pessoas que sofrem com demência em todo o mundo estão em país de renda média ou baixa, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Segundo o autor do relatório, Martin Prince, professor do Instituto de Psiquiatria do King's College de Londres, "as mudanças sociais e econômicas que estão ocorrendo nesses países vão, inevitavelmente, fazer com que seja reduzido o número de familiares disponíveis para cuidar dos idosos."

"Entre esses fatores está a redução das taxas de fertilidade, o que significam que as pessoas terão menos filhos (para cuidar delas na velhice), e o fato de que as mulheres estão estudando mais e integrando cada vez mais o mercado de trabalho, deixando-a menos disponível para fornecer esse tipo de cuidado."

Apoio maior

O estudo revela ainda que à medida que a população envelhece, o sistema tradicional de cuidar dessas pessoas – feito de maneira informal pela família, amigos e comunidade – vai precisar de um apoio muito maior.

Ainda segundo o relatório, um pouco mais que uma em cada dez pessoas acima de 60 anos precisa de cuidados a longo prazo, tais como ajuda diária em tarefas como tomar banho, alimentar-se, vestir-se e usar o banheiro.

Isso pode ser um fardo para famílias, já que muitos dos parentes que cuidam do idoso precisar deixar o trabalho.

Tratar e cuidar de pessoas com demência custa atualmente 376 bilhões de libras (o equivalente a R$ 1,3 trilhão por ano), incluindo custos previdenciários, gastos na área de saúde, além da redução de ganhos.

O relatório faz diversas recomendações, como fornecer "gratificações financeiras apropriadas" para cuidadores, profissionais ou familiares.

Também sugere monitorar a qualidade do tratamento tanto em casas de repouso como o fornecido pela comunidade.

Segundo a organização britânica Alzheimer's Society, a demência é a maior crise na área de saúde que o mundo enfrenta atualmente. "Esse relatório é um alerta para governos mundo afora sobre a urgência de se investir mais em cuidado e apoio."

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