Rússia diz ter recebido provas de que oposição síria usou armas químicas

Crianças observam fumaça de suposto tanque do governo destruído por rebeldes
Image caption Mais de 100 mil pessoas já morreram na Síria desde o início do levante contra Assad, em 2011

A Síria entregou à Rússia novas "provas materiais" de que rebeldes opositores no conflito sírio usaram armas químicas, segundo o vice-ministro russo das Relações Exteriores.

O vice-ministro, Sergei Ryabkov, afirmou ainda que o relatório dos inspetores da ONU sobre o suposto uso de armas químicas, divulgado na terça-feira, foi "politizado, tendencioso e unilateral".

Ele disse que os inspetores tinham analisado somente as evidências do suposto ataque ocorrido em 21 de agosto, e não as de outros três incidentes prévios.

A equipe de inspetores da ONU afirmou que o gás sarin, um agente químico que ataca o sistema nervoso, foi usado no ataque do dia 21 de agosto, que matou centenas de pessoas.

O relatório não indicou os responsáveis pelo ataque, mas governos ocidentais acusam as forças ligadas ao governo do presidente sírio, Bashar al-Assad.

O governo sírio — apoiado pela Rússia — responsabilizou as forças de oposição.

'Difícil, mas factível'

Image caption Vice-chanceler russo (esq) se encontrou com chanceler sírio em Damasco

O chefe da equipe de inspeção da ONU, Ake Sellstrom, disse à BBC que será difícil encontrar e destruir todas as armas químicas da Síria, mas que isso seria "factível".

Sellstrom disse que a situação depende muito de que o governo sírio e a oposição se disponham a negociar.

Para ele, o relatório da ONU pode ter colaborado para o anúncio da Síria de que está preparada para entregar suas armas químicas.

Na terça-feira, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — França, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Rússia e China — se reuniram em Nova York para discutir uma resolução sobre as armas químicas sírias.

Eles discutem uma proposta de resolução sugerida por Grã-Bretanha, França e Estados Unidos.

A resolução seria um passo-chave no plano acertado pelos Estados Unidos e pela Rússia, segundo o qual a Síria revelaria seu arsenal em uma semana e teria um prazo até meados de 2014 para eliminá-lo.

Porém já há desavenças importantes sobre os termos usados na resolução.

França, Grã-Bretanha e Estados Unidos querem uma resolução que contenha a ameaça de uma ação militar caso a Síria não cumpra o acordo, mas a Rússia se opõe a isso.

Rússia e China já bloquearam anteriormente três resoluções contra a Síria propostas por países ocidentais.

Mais de 100 mil pessoas já morreram desde o início do levante contra o presidente Assad, em 2011.

Milhões de sírios já fugiram do país, principalmente para países vizinhos. Outros milhões se deslocaram internamente na Síria para fugir do conflito.

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