Órgão cobra mais detalhes após Síria enviar dados de armas químicas

Inspeção na Síria
Image caption ONU confirmou uso de armas químicas na guerra civil síria

A Organização para a Prevenção de Armas Químicas (Opaq) cobrou nesta sexta-feira mais detalhes a respeito do armamento químico da Síria, após o país árabe divulgar dados "iniciais" sobre seu arsenal - como parte de um acordo mediado por Estados Unidos e Rússia.

A entidade deu prazo até sábado para que o arsenal sírio seja detalhado e adiou uma reunião a respeito agendada para domingo.

Estima-se que a Síria tenha mil toneladas de toxinas químicas em seu poder, e esses armamentos ficaram em evidência após o recente ataque de 21 de agosto no país.

Na última segunda-feira, a ONU confirmou em relatório que o gás sarin foi usado durante a ofensiva na área de Ghouta, em Damasco, mas não esclareceu a autoria do ataque.

Países como Estados Unidos, França e Reino Unido culparam o governo sírio pelo ataque, mas a Rússia - importante aliada do regime síria - diz ter motivos para acreditar que a responsabilidade é de grupos rebeldes.

Gesto

Michael Luhan, porta-voz da Opaq, com base na Holanda e responsável por supervisionar o cumprimento do tratado que proíbe armas químicas, disse que a documentação entregue pela Síria nesta sexta é apenas "inicial".

Image caption Estima-se que Síria tenha mil toneladas de toxinas químicas (Foto: BBC)

Luhan não deu detalhes sobre o conteúdo do material, que será traduzido e examinado por seu corpo técnico.

O analista de assuntos internacionais da BBC Paul Adams ressalta, porém, que o gesto sírio deve acalmar a comunidade internacional.

"A submissão inicial da Síria claramente não cumpre com os rígidos padrões da Opaq, mas talvez isso não importe", opina Adams.

"Junto com a ratificação síria ao tratado contra armas químicas, no último fim de semana, isso é um indicativo de que o regime de Bashar al-Assad está pronto para cooperar, mesmo que em seu próprio ritmo. Enquanto a comunidade internacional sentir que a Síria está cooperando, ainda que de forma relutante, é improvável que o regime seja bombardeado."

O acordo mediado por Estados Unidos e Rússia almeja enviar inspetores à Síria em novembro, para avaliar e supervisionar a destruição de alguns armamentos químicos.

A destruição do arsenal sírio seria completada em meados de 2014, mas o cronograma ainda depende de acordo entre os membros da Opaq, que devem votá-lo na semana que vem.

Depois, o plano terá de passar pelo crivo do Conselho de Segurança da ONU. No entanto, os cinco membros do órgão (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) ainda discutem o teor de uma resolução a respeito do assunto, e Moscou rejeita qualquer ameaça de uso de força contra Damasco.

Rebeldes

Em meio às negociações diplomáticas para a destruição das armas químicas, dois grupos rebeldes - o Estado Islâmico no Iraque e na Síria (EIIS), grupo ligado à Al Qaeda, e o Exército Livre da Síria (ELS), grupo que conta com apoio ocidental - concordaram nesta sexta-feira com um cessar-fogo na cidade síria de Azaz, no norte do país.

Os dois grupos de oposição a Assad combatiam entre si há dois dias, quando o EIIS tomou Azaz da mão do ELS, levantando temores de um novo conflito dentro da guerra civil.

Paul Wood, enviado da BBC à fronteira entre Síria e Turquia, diz que o cessar-fogo prevê a troca de prisioneiros entre os grupos e a devolução de territórios.

Até agora, estima-se que mais de 100 mil pessoas tenham morrido na guerra civil síria desde o início do levante contra Assad, em 2011.

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