Extremistas alugaram espaço no shopping para realizar ataque no Quênia

Mlitantes no shopping | Reuters
Image caption Ao menos 66 pessoas morreram no cerco ao shopping, que durou quatro dias

Os militantes responsáveis pelos ataques a um shopping em Nairóbi, no Quênia, haviam alugado um espaço comercial no local semanas antes do cerco, segundo apurou a BBC junto a altas fontes de segurança do país.

A tática deu aos militantes acesso aos elevadores de serviço no shopping Westgate, possibilitando que eles estocassem armamentos e munição no local. O estoque foi vital para que o grupo pudesse enfrentar as forças de segurança.

Pelo menos 66 pessoas morreram no cerco, que durou quatro dias. Segundo a Cruz Vermelha, outras 61 continuam desaparecidas. Investigadores ainda buscam provas e corpos no local.

O grupo extremista islâmico Al-Shabab, da Somália, parte da rede Al-Qaeda, assumiu a autoria do ataque.

Identidades falsas

Para alugarem o espaço, os militantes usaram carteiras de indentidade falsificadas, fornecidas por funcionários públicos corruptos após o pagamento de proprina.

Segundo as informações às quais a BBC teve acesso, os extremistas estacionaram dois carros fora do complexo, antes de forçar a entrada dos veículos no local.

O grupo possivelmente usou um tubo de ventilação no primeiro andar como esconderijo. Fontes da segurança confirmaram uma mudança na tática dos militantes no fim do sábado. Eles passaram a usar metralhadoras no momento em que os militares assumiram o cerco, no lugar dos policiais.

Há relatos de que a troca de guarda foi confusa. Os chefes de vários órgãos de segurança foram convocados a dar explicações no Parlamento, em meio a dúvidas sobre o preparo das autoridades para um ataque como esse.

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O presidente do Comitê de Defesa do Parlamento, Ndung'u Gethenji, disse à BBC que é preciso "saber os lapsos exatos no sistema de segurança que possivelmente abriram caminho para isso acontecer".

Ele també disse que é preciso entender "a anatomia de toda a operação de resgate", em meio à confusão sobre quem estava a cargo da operação.

Também não se sabe quantos eram os militantes nem sua exata nacionalidade.

Desabamento

Um alto funcionário disse à agência Associated Press que o Exército foi o responsável pelo colapso de parte da estrutura do shopping. A autopsia das vítimas deve mostrar se elas já estavam mortas antes do desabamento ou não.

Há relatos de que militares decidiram explodir uma das colunas de sustentação para pôr fim ao cerco, ignorando a vida dos reféns.

Acredita-se que o ataque do Al-Shabab, que pode ter entre 7 mil e 9 mil membros, foi uma retaliação à atuação de cerca de 4 mil homens do Exército queniano em uma operação conjunta da União Africana na Somália.

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