Síria: Inspetores 'tentarão tudo' contra armas químicas

Bashar Al-Assad em entrevista a canal italiano | Foto: AFP
Image caption Assad garantiu que Síria irá colaborar com a destruição de seu arsenal químico

Uma equipe de especialistas em armamentos químicos da ONU irá para a Síria na segunda-feira com a missão de destruir as armas químicas do país e também o equipamento necessário para fabricá-las, após uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, aprovada no sábado.

Um membro da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) - criada para implementar a Convenção de Armas Químicas - disse à BBC que eles usarão todos os meios necessários, incluindo usar marretas para destruir os meios de produção.

O grupo de 20 inspetores deve chegar em Damasco na terça-feira por volta do meio-dia e a missão inicial no país deve durar por um mês.

A Opaq disse que não tem razões para desconfiar da informação dada pelo governo sírio sobre a quantidade e a localização das armas químicas.

Horas antes, em entrevista a um canal de TV italiano, o presidente sírio Bashar Al-Assad garantiu que a Síria irá obedecer a resolução da ONU, que exige a destruição do arsenal químico do país.

"Claro que iremos obedecer. Nosso histórico é de cumprir com todos os tratados que assinamos", disse ele.

O acordo da ONU acaba com um impasse de dois anos e meio no órgão sobre a Síria, onde continua a guerra civil entre forças do governo e grupos rebeldes. Mas o que a resolução realmente significa?

Simbolismo e política

"Duas coisas estão acontecendo aqui: simbolismo e política dura. E elas estão acontecendo ao mesmo tempo", diz o comentarista da BBC Rajesh Mirchandani.

O Conselho de Segurança diz que a Síria deve concordar em abrir mão de suas armas químicas e destrui-las até o meio do ano que vem.

De acordo com a resolução, os inspetores também devem ter acesso ilimitado aos depósitos de armas químicas em toda a Síria a partir da próxima terça-feira.

"As resoluções da ONU criam leis internacionais. Então o ponto principal aqui é que pela primeira vez em 30 meses, a ONU chegou a um acordo sobre a Síria e esse acordo tem força legal", afirma Mirchadani.

No entanto, a política entra em jogo porque a Rússia é uma das maiores aliadas da Síria, e para conseguir que o país entrasse no acordo, as potências ocidentais tiveram que fazer concessões.

Por causa dsso, a resolução não culpa ninguém pelo ataque químico que matou mais de mil pessoas em Damasco no dia 21 de agosto, mesmo que países como os Estados Unidos já tenham declarado ter certeza de que o governo de Assad realizou o ataque.

A resolução também não prevê o uso imediato da força caso a Síria não cumpra os termos do acordo.

Uma intervenção militar, portanto, necessitaria de outra resolução do Conselho de Segurança, que a Rússia relutaria em apoiar.

Segundo Mirchandani, parece que agora há uma oportunidade de solucionar a crise da Síria. "Uma nova conferência de paz está marcada para novembro e mesmo que os grupos rebeldes não tenham confirmado presença, agora há um mecanismo para encontrar uma solução política."

"Mas a verdade crua dessa situação é que em 30 meses, mais de 100 mil sírios morreram. Isto é uma pessoa a cada 15 minutos. Esta resolução não acabará com os confrontos nem com as mortes no futuro próximo", diz.

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