Justiça russa acusa brasileira e outros quatro do Greenpeace de pirataria

  • 2 outubro 2013
Ana Paula Maciel, do Greenpeace
Ana Paula Maciel foi indiciada na Rússia e pode pegar 15 anos de prisão

A Justiça russa indiciou cinco ativistas do Greenpeace, entre eles a bióloga brasileira Ana Paula Maciel, 31 anos, por pirataria, informou nesta quarta-feira a organização ambiental.

Os acusados foram presos pela guarda costeira russa no dia 18 de setembro, em um caso que ganhou projeção internacional pela variedade de nacionalidades envolvidas na ação.

Eles faziam parte de um grupo de 30 pessoas — quatro russos e 26 estrangeiros — detidas após tentarem invadir uma plataforma de extração de petróleo no Ártico. Todos estão presos na cidade de Murmansk.

Os ativistas podem ser condenados a 15 anos de prisão. Os outros ativistas indiciados são Dmitri Litvinov, sueco-americano de origem russa, a finlandesa Sini Saarela, o russo Roman Dolgov e o britânico Kieron Bryan. O Greenpeace acredita que outros ativistas ainda devem ser indiciados.

A organização criticou os indiciamentos. O diretor executivo do grupo, Kumi Naidoo, disse que as acusações são "extremas e desproporcionais".

"Uma condenação por pirataria está sendo feita contra homens e mulheres cujo único crime foi ter uma consciência. Isso é um ultraje e representa nada menos do que um ataque ao princípio da manifestação pacífica", disse Naidoo à agência Reuters.

O presidente russo, Vladimir Putin, havia dito, anteriormente, que os ativistas haviam infringido leis internacionais, mas disse não se tratar de "piratas".

No protesto de setembro, os ativistas do Greenpeace usaram um barco para chegar à plataforma de petróleo de Prirazlomnaya - a primeira offshore da Rússia, que entrará em operação no fim deste ano.

Dois integrantes da organização tentaram escalar a plataforma e se amarrar a ela. O objetivo deles era chamar a atenção para a exploração de petróleo e gás no Oceano Ártico.

Os ativistas acabaram presos após um confronto em pleno mar. Oficiais russos usando capuzes chegaram a disparar tiros na água, para alertar o grupo.