Síria: começa destruição de arsenal de armas químicas

  • 6 outubro 2013
carro da missão da ONU na Síria | Reuters
Image caption Arsenal químico começou a ser destruído neste domingo

Especialistas em desarmamento começaram, neste domingo, a destruir o arsenal de armas químicas da Síria.

A operação está sendo realizada por uma equipe da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), como parte de uma resolução adotada pelo Conselho de Segurança da ONU após um acordo entre a Rússia e os Estados Unidos.

"Hoje é o primeiro dia da missão, em que veículos pesados vão destruir mísseis, bombas químicas aéreas e unidades de mistura e preenchimento estáticas, afirmou uma fonte da equipe da OPAQ à agência de notícias AFP.

Não está claro qual das 19 instalações de armamentos químicos declaradas pelo governo sírio está sofrendo a intervenção neste domingo.

Resolução

A operação deve encontrar obstáculos pelo caminho, já que algumas instalações militares estão localizadas em zonas de combate.

A resolução acordada no Conselho de Segurança se seguiu à pressão da comunidade internacional após um ataque com armas químicas no dia 21 de agosto, no subúrbio de Ghouta, nos arredores da capital Damasco.

Um relatório divulgado semanas depois por uma equipe de inspetores de armas químicas da ONU apontou que o agente químico sarin foi usado do ataque, que teria matado centenas de pessoas.

Os Estados Unidos e outras potências ocidentais como a França apontaram o regime de Bashar Al-Assad como o autor do ataque e ameaçaram atacar o país. O governo sírio, por sua vez, nega até hoje qualquer responsabilidade e acusa os rebeldes de terem lançado as bombas contra os civis.

A Rússia, aliada de Assad, comandou uma negociação diplomática entre Damasco e Washington que evitou uma intervenção militar ocidental na Síria e levou o país a assinar a Convenção de Armas Químicas. O documento prevê que o país libere todas as informações sobre seu arsenal químico e permita sua destruição.

O acordo com a Síria abriu caminho para a aprovação da resolução do Conselho de Segurança, que não aponta culpados, mas exige que o arsenal químico do país seja destruído até meados de 2014.

Apesar de o documento se referir ao Capítulo 7 da Carta da ONU, que permite o uso da força militar, uma segunda resolução autorizando tal medida seria necessária.

Acredita-se que o arsenal químico da Síria inclua mais de mil toneladas de gás sarin, mostarda, ácido sulfúrico, entre outros agentes químicos banidos.

Conferência de paz

Image caption Assad pede que Alemanha envie mediadores

De acordo com a correspondente da BBC em Haia, a velocidade com a qual a equipe de especialistas teve acesso a primeira instalação e o início do processo de destruição ilustram a urgência da missão.

O atual clima de cooperação vinha alimentando esperanças sobre a realização de uma conferência de paz sobre o conflito na Síria em Genebra, no mês que vem.

Mas o enviado de paz da ONU na Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, disse à imprensa francesa neste domingo que, apesar de estar tentando negociar a participação de várias partes envolvidas, ainda não está certo se o evento será realizado.

Em entrevista que será publicada na segunda-feira pela revista alemã Der Spiegel, o presidente sírio sugeriu que a Alemanha poderia mediar a resolução do conflito em seu país.

Bashar al-Assad disse que ficaria "muito feliz se mediadores viessem da Alemanha".

Ele ainda salientou que Damasco não vai negociar com os rebeldes enquanto eles não entregarem suas armas.

Assad voltou a negar que o governo esteve envolvido no ataque de agosto e novamente acusou os rebeldes.

De acordo com a ONU, mas de 100 mil pessoas já morrerem no conflito na Síria desde março de 2011.

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