Escolas chinesas desestimulam namoro para manter 'foco' de alunos

  • 7 outubro 2013
Secundaristas fazendo exame de ingresso na universidade em Bozhou, na China. Foto: AFP
Image caption Algumas escolas chinesas querem impor um limite de distância entre os alunos

Escolas chinesas estão tentando introduzir uma série de medidas para desestimular seus alunos a namorar, mas a iniciativa têm sofrido resistência e críticas nas redes sociais e na imprensa estatal.

Em um colégio na cidade de Hangzhou, os adolescentes receberam a recomendação de manter uma distância de meio metro entre si, em todos os momentos. Meninos e meninas não têm permissão para andarem juntos, como casais, na escola.

Outra escola, na cidade de Wenzhou – na província de Zhejiang – proibiu "interações próximas" entre estudantes, tanto do sexo oposto como entre alunos do mesmo sexo. No entanto, a escola não detalhou o que considera uma "interação próxima".

Os diretores do colégio promete "ações disciplinares rígidas" contra quem desobedecer as ordens. Os temores de professores e pais é que namoros adolescentes distraiam demais os alunos das suas tarefas, afetando o desempenho escolar.

Na cultura chinesa, romances entre adolescentes costuma ser desdenhados. Existe um termo em chinês – Zao Lian – que significa "amor cedo", mas na prática tem uma conotação negativa, de "amor imaturo". As escolas e autoridades têm realizado campanhas contra os "efeitos indesejados" do "Zao Lian", divulgando dicas sobre como evitar a atração ao sexo oposto e manter o foco nos estudos.

No entanto, muitos chineses tem reagido a essas campanhas, em especial na internet. Muitos dizem que as regras são "bárbaras e opressivas".

"Como você mede o espaço entre alunos e alunas?", comentou um usuário.

'Absurdas, ridículas e ilegais'

A própria mídia estatal também é crítica. O jornal estatal China Youth Daily disse que as medidas são "absurdas, ridículas e ilegais".

"É normal para pessoas jovens se apaixonarem. Romances adolescentes em escolas devem ser desestimulados, mas é melhor não usar métodos opressivos e extremos", diz o jornal.

A BBC conversou com alguns adolescentes chineses sobre a polêmica.

Um estudante de Pequim disse que as escolas anunciaram medidas para conter namoros, mas são os professores que decidem como implementá-las. Muitos deles são bastante flexíveis.

Outro aluno, de Xangai, disse que tem sido mais comum ver namoros entre colegiais.

"Não há nada errado em alunos descobrindo o amor, desde que isso não afete o trabalho escolar", disse outro aluno.

Para o professor Zhang Yuling, da Universidade de Nanjing, a China está mudando e é possível que o esforço dos colégios tenha um efeito contrário, ou seja, acabe aumentando o número de namoros.

"As escolas tratam os alunos como prisioneiros, e as pessoas não aceitam isso", disse ele à BBC.

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