Aécio diz que Marina e Campos ajudam a evitar 'maniqueísmo' em campanha

  • 8 outubro 2013
Aécio Neves (arquivo) Crédito: Antonio Cruz/Abr
Image caption Aécio Neves diz que qualquer força de oposição deve 'ser saudada'

O senador mineiro Aécio Neves, provável candidato do PSDB à Presidência em 2014, disse nesta terça-feira, em Nova York, que a aliança entre a ex-ministra Marina Silva e o governador de Penambuco, Eduardo Campos (PSB), ajuda a evitar que a campanha presidencial seja marcada por um tom maniqueísta.

“Dou boas vindas a Eduardo e Marina, agora no front oposicionista”, disse Aécio, em entrevista a jornalistas no hotel Waldorf Astoria, onde participou de encontro com investidores.

“E acho que a campanha deixará de ter aquele maniqueísmo que sempre atendeu muito aos interesses do PT, ou nós ou eles”, afirmou Aécio, que também é presidente do PSDB.

Marina anunciou no último fim de semana a decisão de filiar-se ao PSB, depois que o partido que tentava criar, o Rede Sustentabilidade, teve o registro negado pela Justiça eleitoral.

Segundo analistas políticos, essa nova aliança dá impulso a uma possível candidatura de Campos, e poderia enfaquecer o candidato do PSDB.

Nas pesquisas de intenção de voto mais recentes, a presidente Dilma Rousseff aparece como primeira colocada, com cerca de 35%, seguida de Marina, em segundo lugar, Aécio, em terceiro, e Campos, em quarto.

'Futuro e não legado'

Questionado sobre um possível impacto negativo em sua campanha, Aécio disse que o PSDB tem uma proposta de “oposição ao que está aí” e que qualquer força política que venha militar no campo da oposição “tem que ser saudada”.

Campos e Aécio negociaram um pacto de não-agressão durante a campanha.

“Acho que com novos nomes na disputa haverá a possibilidade de falarmos mais de futuro do que de legado”, disse.

O senador ressaltou que está em Nova York como presidente do PSDB, e não como candidato, e disse que a definição da chapa que concorrerá à Presidência será tomada apenas no ano que vem.

Economia

Em suas viagens pelo Brasil, enquanto busca formar alianças para a disputa de 2014, Aécio tem criticado o baixo crecimento econômico no governo Dilma.

O tema foi ressaltado em sua palestra nesta terça-feira, acompanhada por cerca de 600 investidores e representantes de mais de cem das principais empresas da América Latina, segundo a assessoria de imprensa do BTG Pactual.

“O ambiente em que sou recebido aqui é de pouco crédito em relação ao Brasil”, disse o senador antes da palestra, que foi fechada a jornalistas.

Aécio chega a Nova York duas semanas depois de a presidente Dilma Rousseff ter falado a investidores internacionais na cidade, na tentativa de responder ao clima de incerteza em relação ao Brasil.

Na ocasião, diante de dúvidas dos investidores em relação a temas como possíveis riscos de investimentos no setor de infraestrutura no Brasil, regulação e a situação geral da economia do país, Dilma ressaltou a tradição brasileira de cumprir contratos e garantiu que o programa de concessões tem regras claras e bem definidas.

Aécio disse que não tem esperanças de acalmar os investidores, mas que pretende apresentar a agenda de seu partido para o Brasil.

“Uma agenda que compreende o setor privado como parceiro, não como inimigo”, afirmou.

Alguns investidores abordados pela BBC Brasil ao final da palestra disseram que o tom geral foi "positivo" e que o senador detalhou os problemas enfrentados pelo Brasil, mas também as possibilidades de melhora no cenário econômico.

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