Republicanos acenam com acordo sobre dívida, mas Obama é cauteloso

John Boehner
Image caption Boehner propôs o aumento do teto da dívida por seis semanas, mas Obama adota cautela

A oposição republicana fez nesta quinta-feira um aceno ao governo do democrata Barack Obama ao apresentar uma proposta de acordo para um aumento temporário do teto da dívida a fim de evitar um calote por parte do governo dos Estados Unidos a partir do próximo dia 17.

O presidente da Câmara dos Representantes (deputados), o republicano John Boehner, tenta incluiu na negociação o fim de outro problema que afeta em cheio as finanças do país - a paralisação parcial do governo, após a não aprovação do orçamento de 2014, que forçou o afastamento temporário de mais de 800 mil funcionários públicos federais desde o último dia 1º.

Boehner, que está na linha de frente das negociações com os democratas (e que precisa mediar inclusive as posições de republicanos linha-dura e moderados) disse que a proposta busca oferecer a Obama a possibilidade de renegociar a paralisação parcial do governo.

“É tempo de liderança”, disse. “É tempo de de começar as negociações e as conversas”.

‘Pouco entusiasmo’

Para o editor de América do Norte da BBC, Mark Mardell, “a Casa Branca está determinada a não se mostrar muito entusiasta com a oferta republicana”.

Mardell diz que Obama, ao fim, deve aceitar a oferta, mas não sem antes tentar tomar a dianteira das negociações.

Enquanto isso, a Casa Branca continua a apontar o dedo para os republicanos, responsabilizando a oposição para consequências que considera desastrosas na economia caso não se aumente o teto da dívida e o governo se veja repentinamente sem poder honrar parte de seus compromissos.

Mardell cita a comparação feita por um senador democrata de que os republicanos estariam se comportando como um homem vendado caminhando em direção ao precipício.

Image caption Republicanos são contra reforma de saúde de Obama, que ganhou a alcunha de 'Obamacare'

“A liderança republicana tirou a venda dos olhos e está dando um passo para trás” ao fazer essa proposta, argumenta Mardell.

‘Cabeça fria’

O porta-voz de Boehner disse que proposta republicana inclui o aumento temporário do teto da dívida por um período de seis meses, até o dia 22 de novembro.

A reação da Casa Branca veio pelo porta-voz Jay Carney, que disse que o presidente Obama está satisfeito que “cabeças frias” estão prevalecendo no Congresso.

Carney disse, no entanto, que Obama “não vão dar nada em troca aos republicanos, que estão fazendo o seu trabalho” apenas.

O impasse já contamina o mercado financeiro, que por sua vez já aumentou os juros futuros do Tesouro americano. O aceno republicano, no entanto, foi sentido imediatamente pelas Bolsas, que voltaram a subir nesta tarde.

Até o momento, não está claro se os republicanos estão incluindo nas negociações o adiamento da reforma da saúde. Bandeira de campanha de Obama, o programa é duramente criticado pelos rebublicanos, que tentam de toda forma barrar sua entrada em vigor.

A oposição argumenta que a legislação, que obrigada todo americano a ter um plano de saúde, é uma interferência inaceitável do Estado na vida dos cidadãos.

A paralisação parcial do governo, com a não aprovação do orçamento, é o último capitulo da batalha em torno do chamado “Obamacare”, já que o impasse se deu justamente porque os republicanos queriam adirar a entrada em vigor da lei.

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