Líder talebã paquistanês diz estar aberto ao diálogo

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O líder talebã paquistanês Hakimullah Mehsud disse, em entrevista exclusiva à BBC, estar aberto a "negociações sérias" com o governo. Afirmou, porém, que ainda não foi contatado pelas autoridades.

Em uma rara entrevista, ele negou ter realizado ataques recentes contra locais públicos, mas disse que continuará a atacar a "América e seus aliados".

Mehsud exerce algum controle sobre mais de 30 grupos militantes em áreas tribais do Paquistão.

Após ter sido eleito premiê em maio, Nawaz Sharif anunciou que abriria negociações com o Talebã sem impor condições.

O grupo matou milhares de pessoas em sua guerra contra o Estado paquistanês nos últimos anos.

Eles controlam áreas no noroeste do país e têm sido culpados por uma onda de ataques suicidas e outros atentados.

Fim dos ataques com drones

Image caption Líder talebã diz que ebora esteja aberto a negociar governo não fez contato.

A entrevista com Mehsud foi realizada pelo correspondente da BBC Ahmed Wali Mujeeb neste mês em um local sigiloso nas áreas tribais no noroeste do Paquistão.

Questionado sobre a possibilidade de negociações de paz com o governo, Mehsud disse: "Nós acreditamos em negociações sérias, mas o governo não deu passos em nossa direção. O governo precisa sentar-se conosco e então apresentaremos nossas condições".

Mehsud disse que não está preparado para discutir condições por meio da mídia.

"O jeito apropriado de se fazer isso é que o governo nomeie uma equipe formal, que eles se reúnam conosco e nós vamos discutir as respectivas posições".

O líder talebã disse que garantirá a segurança de qualquer negociador do governo.

Para que qualquer cessar-fogo tenha credibilidade, ele afirma que "é importante que os ataques com drones (aviões não tripulados) sejam interrompidos".

Segundo na cadeia de comando do Talebã paquistanês, ou Tehrik-e-Taliban Pakistan, Waliur Rehman teria sido assassinado em um suposto ataque de um drone americano em maio.

Quando pressionado sobre o porquê de negociações de paz anteriores terem falhado, Mehsud culpou o governo

Ele disse: "O governo do Paquistão bombardeia membros de tribos inocentes por causa da pressão da América... Ataques de drones conduzidos pelos americanos foram (apoiados) pelo Paquistão. Depois os americanos pressionaram o Paquistão a iniciar operações terrestres naquelas áreas, e o Paquistão cumpriu".

"Então o governo é o responsável por fracassos no passado".

Há uma recompensa do FBI de US$ 5 milhões pela cabeça de Mehsud. Ele teria sido o responsável pelas mortes de milhares de pessoas.

Ao negar ter realizado atentados em locais públicos, afirmou: "Nós consideramos a segurança dos muçulmanos, dos estudiosos e das mesquitas nosso dever sagrado".

"Sobre as explosões que causaram danos a vidas e propriedades de muçulmanos, nós negamos qualquer ligação no passado e negamos qualquer ligação hoje."

"Nós temos como alvos aqueles que estão com os infiéis, os Estados Unidos, e vamos continuar alvejando-os."

Mehsud não quis discutir com o jornalista as condições que exige para iniciar negociações.

No entanto, quando questionado sobre retirada do Afeganistão de tropas lideradas pelos Estados Unidos, ele disse: "Os Estados Unidos são um dos dois motivos pelos quais precisamos conduzir a jihad contra o Paquistão. O outro motivo é o sistema não-islâmico do Paquistão, e nós queremos substituí-lo por um sistema islâmico."

"Esta demanda e este desejo vão continuar mesmo depois da retirada americana."

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