Premiê de Malta adverte: Mediterrâneo está virando cemitério

  • 12 outubro 2013
Foto: AFP
Image caption Imagens da Guarda Costeira italiana mostram imigrantes africanos resgatados

O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, neste sábado que as águas do Mar Mediterrâneo perto de África estão se transformando em um cemitério, depois de um outro barco carregado de imigrantes ter naufragado próximo à ilha italiana de Lampedusa.

Joseph Muscat, disse que Malta se sente "abandonada" pelo resto da Europa e pediu que a União Europeia tome medidas para evitar movas tragédias.

Ao menos 50 pessoas morreram no naufrágio de um barco com mais de 200 migrantes na sexta-feira.

É a segunda tragédia do tipo nos últimos dias: um naufrágio próximo à ilha resultou na morte de ao menos 319 migrantes africanos, sobretudo somalis e eritreus, na semana anterior. Outros 155 foram resgatados na água.

Embarcações italianas e maltesas fizeram o resgate, com o auxílio de helicópteros.

Mais cedo na sexta-feira, pelo menos 500 outros migrantes foram resgatados em operações da guarda costeira perto da ilha italiana da Sicília.

Também na sexta-feira, um acidente de barco próximo ao porto egípcio de Alexandria custou a vida de pelo menos 12 migrantes.

Autoridades de segurança egípcias disseram que 116 pessoas, em sua maioria palestinos e sírios, foram retirados da água.

A perda de vidas renovou o debate entre os estados-membros da UE sobre regras de migração.

'Conversa fiada'

Image caption Corpos de imigrantes mortos na tentativa de chegar à Europa: Malta pede mudanças de regras

Muscat disse que a ação imediata entre Malta e Itália salvou vidas, mas queixou-se de que o resto da Europa forneceu apenas "conversa fiada".

"Eu não sei quantas pessoas mais precisam morrer no mar antes que algo seja feito", disse ele.

"As regras precisam mudar, se serão mais rígidas ou mais flexíveis não é a questão, o fato é que isto está errado e precisa ser corrigido."

"Como as coisas estão, estamos construindo um cemitério dentro do nosso Mar Mediterrâneo", completou o premiê.

Após a tragédia da semana passada perto de Lampedusa, a Comissão Europeia pediu à UE para lançar buscas em todo o Mediterrâneo e pediu que patrulhas de resgate interceptassem barcos de migrantes.

A agência de fronteiras Frontex , da União Europeia, criada em 2004, foi objeto de uma redução de orçamento de 118 milhões de euros em 2011 para 85 milhões de euros em 2013.

A Itália já havia apelado aos estados da UE para que ajudassem om país a lidar com os milhares de imigrantes ilegais que apostam no país a cada ano.

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