Tumulto em peregrinação mata 91 pessoas na Índia

Ponte onde ocorreu o tumulto na região central da Índia (Foto: Reuters)
Image caption Ponte tinha sido reconstruída recentemente devido a outro tumulto, em 2007

Um tumulto em um festival religioso hindu matou 91 peregrinos na região central da Índia, a maioria, mulheres e crianças.

Muitos foram esmagados depois que a multidão entrou em pânico em uma ponte perto do templo de Ratangarh, no Estado de Madhya Pradesh. Outros morreram afogados, ao pular da ponte.

O secretário de Saúde de Madhya Pradesh, Narottam Mishra, comentou sobre as possíveis causas do tumulto.

"A causa do tumulto será investigada judicialmente. Informações de (moradores) locais sugerem que boatos de que a ponte estava desabando podem ter causado o tumulto", afirmou.

No entanto, outras informações sugerem que a polícia causou o pânico entre os peregrinos ao tentar controlar a multidão dando golpes com bastões.

Anbarasan Ethirajan, analista da BBC, afirma que este tipo de tumulto é comum durante os frequentemente caóticos festivais religiosos da Índia.

Em um ano dezenas de pessoas morreram em tragédias parecidas e, em 2011, mais de cem morreram em um festival no Estado de Kerala, sul da Índia. Em 2008, mais de 220 pessoas morreram em um tumulto no templo Chamunda Devi.

Segundo o jornalista técnicas ineficazes de controle de multidão e pouco planejamento das autoridades geralmente são apontados como as causas destes tumultos.

"Festivais religiosos indianos geralmente atraem centenas de milhares de pessoas, algumas vezes até milhões, como no caso do festival Kumbh Mela, em Uttar Pradesh. É um desafio para as autoridades instalar barracas, pontes provisórias e instalações sanitárias. Frequentemente há poucas (medidas de) primeiros socorros ou instalações médicas", afirmou.

Ethirajan acrescentou ainda que outros agravantes são a burocracia do país e o fato de as forças de sgeurança terem poucos equipamentos e funcionários para trabalhar nestes grandes eventos.

Buscas no rio

Equipes de emergência e mergulhadores ainda procuram mais corpos no rio.

Sanket Bhondve, membro do governo local, afirmou que a prioridade agora é atender os feridos.

Um peregrino que estava no local Atul Chaudhary, conseguiu escapar do tumulto e disse à BBC que, na hora em que tudo começou, na manhã deste domingo, milhares de pessoas estavam passando pela ponte.

Ele ouviu gritos e viu as pessoas correndo para sair da ponte.

"Várias pessoas podiam ser vistas sendo pisoteadas no chão, em meio ao tumulto. Alguns dos mais jovens entraram em pânico e pularam no rio. Eu e meus amigos estavámos perto da saída e, junto com muitos outros, corremos para um local seguro", disse.

A ponte estreita tem cerca de 500 metros de comprimento e foi reconstruída recentemente depois de outro tumulto, ocorrido em 2007.

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