Rússia atenua acusações contra ativistas do Greenpeace detidos no país

  • 23 outubro 2013
Ativistas protestam contra prisão de colegas (foto: AFP)
Image caption Greenpeace diz que acusação de vandalismo contra seus membros é 'absurda'

A Rússia atenuou nesta quarta-feira as acusações contra um grupo de 30 ativistas do Greenpeace detidos durante um protesto em uma plataforma de petróleo no Ártico em 18 de setembro. Entre os acusados está a brasileira Ana Paula Maciel.

O processo inicial por pirataria foi substituído pela acusação de vandalismo. Em teoria, a mudança reduz a duração da pena de 15 anos para sete anos de prisão no caso de uma condenação.

Ativistas brasileiros do Greenpeace afirmaram que dizer que os ativistas são culpados de vandalismo é "uma acusação igualmente absurda". A entidade afirmou que contestará a ação da Justiça russa.

Os ativistas estavam no navio Artic Sunrise, que foi capturado por forças de segurança russas depois que membros de sua tripulação tentaram escalar uma plataforma de petróleo.

Todas as pessoas a bordo – 28 ativistas e dois jornalistas – foram detidos e permanecem na cidade portuária de Murmansk (norte da Rússia).

Na semana passada 11 vencedores do prêmio Nobel escreveram ao presidente russo, Vladimir Putin, pedindo que as acusações de pirataria fossem retiradas.

No mês passado, Putin disse que os ativistas violaram a lei internacional, mas que era "evidente" que eles não eram "piratas".

Queixas

"Vamos contestar veementemente as acusações de vandalismo, assim como fizemos com as acusações de pirataria", afirmou o Greenpeace em um comunicado.

"Ambas são acusações fantasiosas, sem qualquer relação com a realidade. Os ativistas protestaram pacificamente contra os planos da empresa Gazprom de explorar petróleo no Ártico e devem ser libertados."

A entidade disse ainda que alguns dos ativistas podem responder pelo crime de uso da força contra autoridades – o que pode lhes render sentenças de dez anos de prisão.

A Holanda levou o caso para um tribunal da ONU em Hamburgo na última segunda-feira – porque o navio e parte da tripulação são holandeses.

A chancelaria russa divulgou um comunicado na ocasião afirmando que não segue os procedimentos de disputa da legislação marítima da ONU desde 1997.

No dia dez de outubro, a presidente Dilma Rousseff determinou ao Itamaraty que entrasse em contato com o governo da Rússia para “encontrar uma solução” para o caso de Ana Paula Maciel.

Em mensagem no Twitter, a presidente disse que solicitou “ao ministro (das Relações Exteriores Luiz Alberto) Figueiredo contato de alto nível com o governo russo para encontrar uma solução para Ana Paula” e pediu que o Itamaraty dê “toda a assistência à brasileira”.

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