Com discurso contra desigualdade, democrata é favorito à prefeitura de NY

Bill de Blasio e sua família (Reuters)
Image caption Filhos e mulher de Bill de Blasio ajudaram a impulsionar sua campanha

Os nova-iorquinos vão às urnas nesta terça-feira para eleger o sucessor de Michael Bloomberg, que em 31 de dezembro deixa a prefeitura após 12 anos e três mandatos.

Segundo todas pesquisas, o democrata Bill de Blasio deve vencer a disputa com grande margem. Em levantamento divulgado na semana passada pela Quinnipiac University, Blasio tinha 65% das intenções de voto e uma vantagem de 39 pontos percentuais sobre seu adversário, o republicano Joseph Lhota (26%). O independente Adolfo Carrión Jr. tem 3%.

Defensor público de Nova York, Blasio, 52 anos, conduziu uma campanha marcada pelo discurso contra a desigualdade social e a política chamada de "stop and frisk" ("pare e reviste", em tradução livre), que autoriza a polícia a interrogar e revistar pessoas em busca de armas e que alguns consideram discriminatória.

Ele conquistou a simpatia dos eleitores se posicionando como um candidato anti-Bloomberg e explorando a ideia de que a gestão do atual prefeito dividiu Nova York em "duas cidades".

"Quase 400 mil milionários chamam Nova York de lar, enquanto quase metade dos nossos vizinhos vivem próximos à linha de pobreza. Nossa classe média não está apenas encolhendo; corre o risco de desaparecer de vez", diz Blasio no site de sua campanha.

Entre suas promessas está a de aumentar os impostos sobre os mais ricos para ampliar os investimentos em educação.

Seus adversários o chamam de "marxista", lembrando a simpatia de Blasio pela Nicarágua sandinista nos anos 1980, para onde ele viajou em 1988, ajudando a distribuir comida e medicamentos durante a revolução.

Mas Blasio diz que não é nem nunca foi marxista. Em entrevista à New York Magazine, ele definiu sua visão de mundo como "parte Franklin Roosevelt - o New Deal -, parte social-democracia europeia e parte teologia da libertação".

Adversário

Lhota, 59 anos, que comandou a Autoridade Metropolitana de Transporte e ocupou vários cargos na gestão do republicano Rudolph Giuliani, a partir de 1994, critica o que define como "pouca experiência" de Blasio e diz que o adversário, se eleito, levará Nova York de volta ao "caos" de administrações democratas anteriores, marcadas por problemas econômicos e violência.

"Bill de Blasio não tem a experiência ou as políticas corretas para combater o crime em uma cidade de 8,3 milhões de pessoas. Sua agenda temerária vai colocar nossa segurança em risco", diz Lhota.

Uma das principais divergências entre os dois candidatos envolve a política do "stop and frisk", implantada por Bloomberg.

Muitos consideram a prática responsável pela queda na criminalidade, mas críticos afirmam que viola os direitos das minorias, por ser direcionada principalmente a negros e latinos.

Em agosto, a juíza Shira Scheindlin considerou a política inconstitucional e indicou um supervisor federal para fiscalizar mudanças na prática. Na semana passada, porém, após recurso da prefeitura, um tribunal federal de recursos derrubou a decisão e afastou Scheindlin do caso.

Image caption O candidato Joe Lhota critica o que define como 'pouca experiência' de Blasio

Lhota diz que, se eleito, vai manter o recurso da prefeitura contra a decisão da juíza. Blasio afirma que vai retirar a ação, mas muitos duvidam que ele aceite a interferência de um supervisor federal na administração do Departamento de Polícia de Nova York.

Família

Neto de imigrantes italianos, Blasio conquistou o eleitorado nova-iorquino não somente com sua plataforma autodefinida como progressista, mas também com o carisma de sua família birracial: sua mulher, Chirlane McCray, 58 anos, é negra.

McCray é presença importante no palanque do marido. Antes de casar-se com Blasio, em 1994, ela atuou na organização radical de feministas e lésbicas negras Combahee River Collective, nos anos 1970.

O casal tem dois filhos, Chiara, 18 anos, e Dante, 16. Com seu penteado afro, Dante se transformou em celebridade e ganhou elogios até do presidente Barack Obama após participar de uma propaganda eleitoral que impulsionou a campanha do pai.

Blasio lidera em todas as fatias da população, com destaque para o grande apoio de negros e hispânicos, cuja participação no eleitorado nova-iorquino vem crescendo.

Caso as pesquisas se confirmem, Blasio será o primeiro democrata eleito para a prefeitura de Nova York desde 1989.

Apesar de 60% dos eleitores da cidade se identificarem como democratas, o último candidato do partido a vencer a eleição municipal foi David Dinkins, que governou até 1993.

Ele foi sucedido pelo republicano Rudolph Giuliani, que comandou a prefeitura até o fim de 2001, em uma gestão marcada pela tolerância zero ao crime e a redução da violência.

Pouco após os atentados de 11 de setembro de 2001, o bilionário Bloomberg assumiu o comando da cidade.

Inicialmente membro do Partido Republicano, Bloomberg abandonou a sigla em 2007, e se reelegeu para o terceiro mandato, em 2009, como independente.

Notícias relacionadas