Ministro rebate críticas da Soccerex após troca de farpas

Ministro Aldo Rebelo (foto: AP)
Image caption Polêmica sobre investimentos causa troca de farpas entre autoridades e organizadores de Soccerex

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, declarou nesta quinta-feira em Paris que "é uma vergonha" atribuir o cancelamento da convenção mundial de futebol Soccerex ao temor das autoridades do Rio de Janeiro em relação aos protestos sociais.

A Soccerex – maior reunião mundial sobre o futebol, que conta com a participação dos principais dirigentes e empresários do setor – deveria ocorrer no Rio entre 30 de novembro e 5 de dezembro, no estádio do Maracanã.

A convenção mundial do futebol deveria reunir 4,5 mil pessoas ligadas ao esporte seis meses antes da Copa do Mundo.

Nesta quinta-feira, os organizadores da Soccerex voltaram a afirmar que o governo do Rio não respeitou o contrato firmado para financiar o evento por temer novas manifestações caso fosse usado dinheiro público para realizar a reunião.

"Queremos reiterar que a razão, oficialmente comunicada à Soccerex, foi a situação de preocupação política e a possível reação da opinião pública", afirma a Soccerex em um comunicado divulgado nesta quinta.

"Essa conferência foi anulada porque o governo do Rio de Janeiro decidiu não oferecer mais subsídios aos organizadores e eles espalharam essa versão", disse Rebelo em entrevista na embaixada brasileira em Paris.

"É uma vergonha que as pessoas dêem credibilidade a essa versão para o cancelamento da conferência", afirmou Rebelo.

"A Copa das Confederações ocorreu no momento mais intenso das manifestações. Nenhum jogo foi transferido ou adiado. Também tivemos a visita do Papa durante os protestos. O Rio recebeu 4 milhões de visitantes nesse período", disse Rebelo, que defende a ideia de que essa não seria a razão para o cancelamento da Soccerex.

O governo do Rio informou ter recomendado aos organizadores captar recursos privados por meio da Lei de Incentivo ao Esporte e à Cultura para que o patrocínio não tivesse como fonte recursos públicos.

'Cortina de fumaça'

A Soccerex afirma, no comunicado desta quinta, que a "recomendação" para que ela buscasse recursos por meio desta lei "nada mais é do que uma simples, desnecessária e ineficiente cortina de fumaça".

Segundo a empresa, o contrato firmado com o governo do Rio estipula que a responsabilidade dos custos para a realização da convenção global é do Estado do Rio desde 2010.

Por esse motivo, a captação de recursos por meio da Lei de Incentivo ao Esporte "seria de responsabilidade única e exclusiva da entidade governamental", diz a empresa no comunicado.

A Soccerex afirma que o governo do Rio apontou, em um comunicado, uma teórica "falha" da empresa em encontrar e assegurar os fundos para a convenção global.

Mas junto aos representantes da Soccerex, o discurso do governo teria sido outro, diz o comunicado: o de que "o evento perde o apoio financeiro devido à tensão social existente e à pressão da opinião pública nesse momento no Estado, que injustificariam esse gasto com a Soccerex".

O ministro Rebelo afirmou não ter conversado com representantes da Fifa nem com o governador do Rio sobre a anulação do evento.

"Sei que o governador do Rio esclareceu que o cancelamento não tinha a ver com questões de segurança", disse Rebelo.

Segurança

Na entrevista em Paris, o ministro também afirmou que a Copa do Mundo no Brasil será segura, uma preocupação recorrente em relação ao Brasil no exterior.

"Nossos aeroportos, estações de trem e de metrôs são muito mais seguros do que na Europa e nos Estados Unidos", disse o ministro, se referindo ao fato de que no Brasil, diferentemente de países europeus e dos Estados Unidos, não há histórico de atentados terroristas.

"Estaticamente, as pessoas no Brasil estão menos expostas ao risco do que na Europa ou nos EUA", afirmou o ministro.

"O Brasil está menos exposto a um tipo de violência, que é religiosa, étnica ou política. Temos o problema da criminalidade comum. Mas estamos nos esforçando para reduzir esse tipo de crime para a população, turistas e delegações esportivas", declarou Rebelo.

Segundo o ministro, o Brasil vai tentar durante a Copa reduzir a exposição aos dois riscos: o dos "crimes comuns", como furtos e roubos , e também de ataques terroristas.

Cristiano Ronaldo

Rebelo participou na noite desta quinta de um evento na embaixada brasileira que contou com a presença do ex-jogador Ronaldo, membro do Comitê Olímpico Local e embaixador da Copa do Mundo no Brasil, e da ministra francesa do Esporte, Valérie Fourneyron.

Ela cometeu a gafe de chamar o artilheiro brasileiro de "Cristiano Ronaldo" durante seu discurso.

Ronaldo se divertiu com o engano e disse a jornalistas brasileiros que para evitar gafes desse tipo ele prefere, nesses eventos com autoridades, dizer simplesmente "senhoras e senhores".

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