Ronaldo: 'Queremos quem honre a seleção e é hora de esquecer Diego Costa'

Ronaldo Nazário no prédio da BBC, em Londres. Foto: Emma Lynch/BBC
Image caption Ronaldo disse que seu esforço é por uma Copa do Mundo 'perfeita' para os brasileiros

A decisão do atacante Diego Costa, que optou por jogar pela Espanha na próxima Copa do Mundo, gerou polêmica com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) na semana passada, mas foi minimizada por um dos maiores nomes que o Brasil já teve na mesma posição.

Para Ronaldo, ex-atacante que ainda detém o título de maior artilheiro da história das Copas do Mundo, é preciso respeitar a escolha do jogador, que se profissionalizou na Espanha e hoje é o artilheiro do Campeonato Espanhol pelo Atlético de Madri.

Em entrevista à BBC Brasil na sede da empresa, em Londres, o ex-camisa 9, que venceu dois Mundiais, elogiou as atuações de Diego Costa, mas ressaltou que a seleção deve "esquecer" o atacante – agora rival – e olhar para frente, focando nos atletas que realmente sonham em defender o Brasil no ano que vem.

"Para nós brasileiros, nós queremos sempre jogadores que honrem a nossa camisa, que realmente sonhem em vestir aquela camisa", disse Ronaldo. "Agora é esquecer o Diego Costa e pensar nos jogadores que estão disponíveis pra seleção brasileira e fazer com que eles deem seu melhor."

'Bem servido'

Diego Costa chegou a vestir a camisa verde-amarela em duas ocasiões, ambas no início do ano e em amistosos sob o comando de Luiz Felipe Scolari. O atacante, porém, ficou fora da Copa das Confederações, quando Neymar, Fred, Hulk, Leandro Damião e, posteriormente, Jô (chamado para o lugar de Leandro, contundido), foram lembrados pelo treinador.

Com dupla cidadania, Diego Costa teve a chance de escolher a camisa que gostaria de vestir no Mundial do ano que vem e optou por defender a Espanha, pais onde, segundo ele, "conseguiu tudo na vida."

Mas, para Ronaldo, com as opções já testadas por Felipão, o Brasil estará bem servido no Mundial, e a opção do atacante em jogar pelo rival não deverá atrapalhar a seleção na busca pelo seu maior objetivo: conquistar o hexacampeonato.

"Acho que daqui para a Copa não vai ter muita mudança no ataque, devemos ter Fred, Leandro Damião, e talvez o Jô que estarão disponíveis para o Felipão, logicamente que para jogar junto com o Neymar", opinou.

Pressão

Membro do Comitê Organizador Local (COL) e embaixador da Copa do Mundo no Brasil, Ronaldo também foi bastante questionado na visita à BBC sobre o andamento dos preparativos para o Mundial.

Image caption Ronaldo e organizadores da Copa conversaram com jornalistas da BBC em Londres

O ex-jogador admitiu que a pressão que tem sofrido agora, como "organizador" da Copa, tem sido bem maior do que aquela que sofria quando estava dentro de campo com a seleção brasileira, mas reforçou seu otimismo de que o torneio sera essencial para o desenvolvimento do país.

"A pressão quando eu jogava durava no máximo dois meses, a pressão nesse momento, na organização, dura muito mais tempo. Eu já estou há dois anos nessa pressão, então é complicado", brincou o jogador.

"Mas na Copa do Mundo a gente tem feito um esforço muito grande para que ela seja perfeita para o povo brasileiro, em termos de legado. E a gente está muito contente com tudo o que esta acontecendo."

Sobre a possibilidade de se criarem "elefantes brancos" nos estádios da Copa do Mundo que foram construídos em cidades-sede que não tem tanta tradição no futebol – como Manaus, Cuiabá e Brasília, por exemplo -, Ronaldo disse que caberá aos próprios governos locais cuidarem para que esses locais sejam rentáveis no futuro.

"As escolhas (das cidades-sede) foram feitas e o que tem que ser feito agora é o planejamento para esses estádios. Para que eles sejam ocupados, utilizados, que tragam entretenimento para o público, e não deixar que esses estádios sejam pouco utilizados."

Favoritos

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O ex-jogador participou nesta terça-feira de um evento voltado para a indústria do turismo em Londres, ao lado de autoridades do COL, do governo brasileiro e da Fifa.

Morando em Londres há cinco meses, Ronaldo está trabalhando em uma agência de publicidade, onde quer aprender mais sobre marketing. Ele mora no bairro do Chelsea - uma das regiões nobres da cidade - e diz que costuma passear pela cidade de bicicleta com sua namorada.

O ex-jogador disse à BBC Brasil que está gostando da experiência de morar em Londres, apesar de sua agenda movimentada e das muitas viagens que precisa fazer devido a seus compromissos com o COL e com seus negócios.

Ronaldo disse que na sua opinião os favoritos para vencer a Copa de 2014 são Brasil, Alemanha e Espanha, nesta ordem. Quando perguntado por um jornalista britânico sobre a Inglaterra, o ex-jogador foi diplomático: "Na próxima Copa", disse, em meio a risos.

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