Como o Twitter mudou o mundo

Bolsa de valores de Nova York| Crédito: Getty Images
Image caption Abertura de capital do Twitter gerou forte demanda de investidores na bolsa de Nova York

Sete anos após ser criada, a rede de microblogging Twitter abriu seu capital na bolsa de Nova York nesta quinta-feira, sob forte demanda dos investidores por seus papéis.

Com preço inicial de US$ 26 (cerca de R$ 60), as ações chegaram a ultrapassar a barreira dos US$ 50 (R$ 115), para depois se aproximar da casa dos US$ 45 (R$ 104) - 73% a mais que o preço original das ações da IPO (sigla em inglês da "oferta pública inicial", quando os papéis de uma empresa passam a ser negociadas na bolsa pela primeira vez).

Com o grande apetite, o valor de mercado do Twitter atingiu US$ 31 bilhões (cerca de R$ 71 bilhões).

Essa foi o maior IPO de uma empresa do setor de tecnologia desde a abertura de capital do Facebook, em maio do ano passado.

Rede social em que os usuários publicam e leem mensagens restritas com no máximo 140 caracteres, o Twitter tem hoje cerca de 550 milhões de usuários no mundo.

Ainda que sua base de usuários seja menor do que a do Facebook (com cerca de 1 bilhão de cadastros), nenhuma outra rede social tem a mesma influência que o Twitter.

Image caption Ações do Twitter registraram forte alta após abertura de capital na bolsa

Uma das maiores convenções criadas pela rede foi a difusão do uso do "jogo da velha" ou hashtag.

Antes do Twitter, o símbolo # só era praticamente visto nos telefones para indicar um número.

Agora, as hashtags são uma forma definitiva de agrupar tuítes de um mesmo assunto.

Leia abaixo uma compilação feita pela BBC hashtag por hashtag, de como o Twitter mudou o mundo.

#Negócios

No passado, as reclamações eram escritas à caneta, seguindo uma cartilha comum: primeiro, o cliente enviava uma carta e tinha de esperar alguns dias por uma resposta. Frequentemente, no entanto, era ignorado pelo destinatário.

Hoje, no entanto, tudo é feito online – e uma das formas mais eficazes para cobrar das empresas uma solução rápida dos problemas é pelo Twitter.

Com a capilaridade da rede, a chance de que uma mensagem se torne um viral preocupa as companhias, que temem o efeito disso sobre suas imagens.

Enquanto isso, nos mercados financeiros, muitos começaram a usar a mídia social para prever o futuro do valor de seus negócios.

Ao analisar o firehose (isto é, a compilação de todos os tuítes enviados), os pesquisadores afirmam que podem fazer uma aposta sobre a performance das ações - às vezes com até seis dias de antecedência.

#Política

Image caption Foto de Obama abraçando Michelle após vitória presidencial foi a mais compartilhada da rede

O Twitter também vem se consolidando como um palanque digital, no qual os políticos podem interagir diretamente com seus potenciais eleitores e fazer anúncios impactantes de suas ações.

As mídias sociais - não apenas Twitter – se tornaram instrumentos tão importantes para a política que, antes de sua reeleição, o presidente dos EUA, Barack Obama, contratou uma equipe de especialistas dedicados a analisar os tweets e atualizações de status em todos os Estados Unidos.

Quando derrotou seu rival republicano Mitt Romney nas eleições presidenciais do ano passado, foi pelo Twitter que Obama enviou uma foto que virou a marca de sua vitória. Nela, ele abraçava sua esposa, Michelle. A imagem se tornou rapidamente a mais compartilhada da rede social.

O Twitter, sozinho, não garante as eleições, mas, sem dúvida, é hoje uma das ferramentas mais poderosas durante campanhas eleitorais, principalmente por atingir eleitores que não assistem aos programas políticos nos meios tradicionais, como a TV ou o rádio.

Mas há espaço para o abuso. A tentação para que movimentos políticos paguem pessoas para apoiar uma causa na rede tende a aumentar à medida que as mídias sociais ganham mais força.

#Notícias

Não há como negar: o Twitter incorporou o senso de urgência do jornalismo.

Os tuítes têm sido o ponto de partida para muitas notícias, especialmente aquelas sobre celebridades.

Nas redações de jornais, revistas e sites, um novo cargo surgiu à luz desse novo universo: o jornalista especializado em redes sociais. Cabe a ele filtrar as informações que circulam na rede, além de promover as notícias publicadas pelo veículo em que trabalha.

O verdadeiro desafio, claro, é ter certeza de que o tuíte publicado é verdadeiro – e os veículos de comunicação nem sempre checam corretamente as informações antes de publicá-las.

De fotografias manipuladas a contas falsas, tudo pode causar grande estrago se não for devidamente verificado. Um exemplo famoso envolveu Wendi Deng, ex-mulher do magnata da mídia Rupert Murdoch, que teve várias de suas supostas declarações publicadas pela imprensa. Descobriu-se posteriormente, no entanto, que Deng não possuía uma conta no Twitter – e seu perfil era falso.

O Twitter também tem o hábito de “matar pessoas”. Hugh Hefner, Jon Bon Jovi e Morgan Freeman já foram “assassinados” pelos usuários da rede.

O ator Jeff Golfblum, dos filmes Jurassic Park (1993) e Independence Day (1996), foi um dos que mais sofreram com os falsos rumores. Os boatos de que ele teria morrido ganharam tanta força que ele se viu obrigado a aparecer em rede nacional para dizer que ainda estava vivo.

#Esporte

Image caption Rooney fez comentário em alusão à Nike no Twitter, mas não disse que era propaganda

Jogadores de futebol, nadadores e tenistas. Todos estão no Twitter.

A rede aproximou ídolos antes inalcançáveis de seus fãs. Por outro lado, também fez parte deles cair em desgraça. Alguns foram multados por seus clubes ou associações de futebol por tuítes descuidados, como o do jogador inglês Wayne Rooney, que fez um comentário em alusão à Nike sem informar que se tratava de uma propaganda.

Inegavelmente, porém, a rede de microblog amplificou a torcida pelos atletas. Quando o tenista britânico Andy Murray venceu o torneio de Wimbledon, por exemplo, mais de 3,4 milhões de tuítes foram disparados nas 12 horas subsequentes.

#Celebridades

Jogadores de futebol, nadadores e tenistas. Todos estão no Twitter.

A rede aproximou ídolos antes inalcançáveis de seus fãs. Por outro lado, também fez parte deles cair em desgraça. Alguns foram multados por seus clubes ou associações de futebol por tuítes descuidados, como o do jogador inglês Wayne Rooney, que fez um comentário em alusão à Nike sem informar que se tratava de uma propaganda.

Inegavelmente, porém, o Twitter amplificou a torcida pelos atletas. Quando o tenista britânico Andy Murray venceu o torneio de Wimbledon neste ano, por exemplo, mais de 3,4 milhões de tuítes foram disparados nas 12 horas subsequentes.

Image caption Ator americano Asthon Kutcher foi a primeira celebridade a ter 1 milhão de seguidores no Twitter

Para essas estrelas do show business, no entanto, manter-se ativo na rede tem seu preço. Muitas delas são obrigadas a contratar equipes de assessores para tuitar em seu nome.

Não raro, contudo, as celebridades dão declarações desastrosas e se tornam manchete dos tabloides de todo o mundo.

O comediante Jason Manford, por exemplo, renunciou ao cargo de coapresentador de um programa na TV britânica depois que usou a rede social para enviar mensagens privadas "inapropriadas" para fãs do sexo feminino.

#Ativismo

Desde 2012, Laura Bates, uma escritora feminista que vive em Londres, comanda no Twitter o projeto Everyday Sexism (“Sexismo de Todos os dias”, em tradução livre), com o objetivo de registrar casos de comportamento preconceituoso no dia à dia.

Seu movimento foi a força motriz por trás de uma campanha bem-sucedida que forçou o Facebook a remover perfis que faziam piadas sobre violência sexual. Foi pelo Twitter que os seguidores da conta de Laura eram capazes de atingir alguns dos maiores clientes de publicidade do Facebook, como Dove e American Express.

Outras campanhas têm sido travadas contra o cyberbullying, um problema recorrente para o Twitter. No início deste ano, várias personalidades femininas teriam recebido ameaças de morte por comentários na rede social.

O Twitter também se tornou um campo fértil para dar visibilidade a protestos.

Durante a revolta egípcia que culminou com a queda do então presidente Hosni Mubarak em 2011, a rede social se tornou um canal para os manifestantes disseminarem material de campanha e organizar encontros.

O site de microblog também funciona como meio para denunciar casos de abuso policial, como nos recentes protestos ocorridos em cidades brasileiras.

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