Explorador condecorado conta como decepou próprios dedos congelados

Fiennes durante entrevista ao programa Newsnight, da BBC
Image caption Fiennes disse ter ficado irritado com a dor que sentia ao tocar dedos necrosados em algo

Considerado um dos maiores exploradores vivos, o britânico Ranulph Fiennes, de 69 anos, contou em entrevista à BBC como resolveu cortar suas próprias pontas dos dedos da mão esquerda com uma microlâmina após uma necrose provocada por congelamento durante uma expedição ao Polo Norte.

Fiennes, que tem o título de "sir" concedido pela rainha Elizabeth 2ª, tentava cruzar o Polo Norte sozinho e sem ajuda em 2000 quando seu trenó quebrou uma camada fina de gelo e caiu na água. Ele teve que retirá-lo com as próprias mãos, o que provocou o congelamento.

Já de volta à Grã-Bretanha, ele diz que decidiu amputar as próprias falanges após ser avisado por um médico de que teria que esperar ao menos cinco meses para passar pela cirurgia, para esperar pela recuperação dos tecidos da mão.

"Minha falecida mulher disse que eu estava ficando muito irritado, porque era muito doloroso tocar em qualquer coisa com os dedos mumificados", disse ele no programa Newsnight, na noite de quinta-feira.

"O problema é que eles (os médicos) não amputam antes de cinco meses depois do ocorrido", relatou. "Então, para interromper a dor, comprei uma microlâmina elétrica, minha mulher me preparou umas canecas de chá e comecei a cortar", disse.

Segundo ele, o processo foi demorado. "Levei dois dias só para cortar o polegar", contou. "Quando doía ou sangrava, era só afastar a lâmina."

Sem 'trapaças'

Image caption Ranulph Fiennes é considerado um dos maiores exploradores vivos

Ranulph Fiennes já liderou mais de 30 expedições e testou seus limites ao extremo. Entre seus feitos estão a primeira circunavegação polar da Terra, a primeira travessia da Antártida à pé sem apoio e a escalada do monte Everest aos 65 anos, em 2009.

Em 2003, mesmo após ter sofrido um ataque cardíaco e ter passado por uma operação para a colocação de duas pontes de safena, ele conseguiu a façanha de completar sete maratonas em sete dias consecutivos em sete continentes diferentes.

Durante a entrevista à BBC, ele explicou por que não utiliza equipamentos especiais nas expedições para evitar problemas como o congelamento de membros.

"Fiz muitas expedições por 25 anos com (o nutricionista) Mike Stroud. Com ele, nunca usamos esquentadores de mão, ou qualquer forma artificial de aquecimento", afirmou.

"Uma vez, no Polo Sul, ele ficou com hipotermia, com -52 graus no verão, mas ainda assim nunca usamos nada artificial", relatou. "Achamos que seria trapacear, como usar propulsão a vento em vez de carregar os próprios equipamentos. Sem apoio significa sem apoio", explicou.

Notícias relacionadas