Após ser recusado em avião e navio, obeso não consegue embarcar em trem

  • 20 novembro 2013
Chenais ao chegar ao aeroporto de Heathrow, em Londres (Foto: AFP/Getty)
Kevin Chenais está hospedado em Londres, aguardando um transporte para a França

Um francês considerado clinicamente obeso teve sua viagem vetada em um avião, em um navio e agora também em um trem da empresa Eurostar, que liga Londres a Paris.

Kevin Chenais, de 22 anos, pesa mais de 220 quilos e estava nos Estados Unidos desde maio de 2012 para tratar um desequilíbrio hormonal.

Ele deveria voltar para a França pela British Airways, mas a companhia aérea se recusou a levar o jovem alegando que ele é muito pesado.

A família então tentou atravessar o Atlântico em um navio, o Queen Mary 2. Mas os proprietários do navio também recusaram Chenais.

A companhia aérea Virgin ofereceu passagens para Chenais e a família do aeroporto JFK, em Nova York, para Heathrow, em Londres.

"Foi muito gentil da parte deles", afirmou o jovem.

A família foi então recebida em Heathrow por um funcionário do consulado francês, que tentou ajudá-los a embarcar em um trem da Eurostar para Paris.

Mas, a Eurostar afirmou que não poderia levar Chenais devido aos regulamentos de segurança para a retirada de passageiros.

"O peso dele significa que nós não conseguiríamos cuidar dele ou carregá-lo para fora em caso de evacuação (do trem)" dentro do canal da Mancha, afirmou uma porta-voz da Eurostar.

A companhia informou que não existe um limite de peso para os passageiros e cada trem tem dois lugares para pessoas portadoras de deficiência ou com problemas de mobilidade. Mas os funcionários do trem precisam ser capazes de retirar cada uma daquelas pessoas do local em caso de emergência.

Nesta quarta-feira, uma empresa de transporte de balsa se prontificou a transportar Chenais à França, alegando estar acostumada a levar ambulâncias e pessoas com problemas de saúde pelo canal da Mancha, informa a agência PA.

Oxigênio

A porta-voz da Eurostar informou que Chenais está em um hotel perto do terminal da companhia na estação de St. Pancras, em Londres.

O destino final de sua família é a cidade de Ferney-Voltaire, perto da fronteira com a Suíça.

Kevin Chenais usa oxigênio extra com frequência e também precisa de cuidados regulares. E, apesar de elogiar a iniciativa da Virgin, de colocar a família em um voo entre Nova York e Londres, afirmou que o voo transatlântico foi "terrível".

"O voo foi muito difícil. Não parei de chorar", afirmou. "Eu estava muito incomodado, tenho muitos problemas com minha pele nas coxas e o assento era pequeno demais", acrescentou.

Mas, a indignação do jovem francês é maior contra a British Airways e contra os proprietários do navio Queen Mary 2, a companhia Carnival.

"Estávamos prontos para ir a bordo do navio, mas eles nos rejeitaram sem ao menos me ver, sem sequer tentar. Então estou muito bravo - duplamente bravo pois a British Airways (também) se recusou a me levar", afirmou.

A British Airways foi a companhia que levou Chenais para os Estados Unidos, segundo o pai do jovem, Rene, de 62 anos.

A companhia aérea britânica informou em uma declaração que sempre aceita passageiros "quando é possível e seguro".

"Infelizmente não foi possível acomodar de forma segura o passageiro e sua família, e foi oferecido reembolso total."

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