Acidente no Itaquerão foi como 'terremoto' na reta final da Copa

  • 27 novembro 2013
Itaquerão
Image caption Grua tombou na hora do almoço, matando dois operários; um deles tirara um cochilo durante o intervalo

Na estação Corinthians-Itaquera, os passageiros do metrô paulistano olham atônitos para a estrutura destroçada que pode ser vista de longe por quem está desembarcando no extremo leste da capital de São Paulo.

O estádio no alto de uma colina se impõe pela magnitude. Mas nesta quarta-feira, a moderna estrutura sucumbiu parcialmente, golpeando fatalmente dois operários e abalando a imagem do país sede da Copa do Mundo.

"Foi como um terremoto. A gente sentiu o chão tremer, escutou o barulho e saiu correndo para ver o que estava acontecendo. Todo mundo ficou muito nervoso e alguns começaram a chorar", relatou um dos únicos operários que ficaram nos arredores da Arena Corinthians. A notícia também estremeceu a organização da Copa do Mundo.

O operário não quis falar o nome, "por precaução", segundo ele. No momento do acidente, ele almoçava na cantina junto com centenas de outros operários.

Um dos operários, no entanto, já havia almoçado e tirava um cochilo próximo da arena. O paulista Ronaldo Oliveira dos Santos, 44 anos, morreu esmagado pelos escombros. A segunda vítima fatal foi o cearense Fábio Luis Pereira, de 42 anos. Ele estava em um caminhão atingido pela estrutura. O operador da grua entrou em choque e precisou ser atendido por médicos.

Luto

Tão logo se anunciou a tragédia, uma multidão de jornalistas se apressou em chegar ao local. A imprensa ficou do lado de fora, no chão de terra batida, que até a Copa deve estar gramado e pronto para dar as boas vindas a torcedores de todo o mundo.

O estádio estava quase 100% finalizado. As cadeiras estão todas instaladas, o campo está pronto. Mas com o incidente, ninguém mais espera que o Itaquerão seja entregue até o fim do ano, como estava previsto.

O ex-presidente do Corinthians e agora responsável pelo Itaquerão, Andrés Sanchez, falou com a imprensa ao lado de um representante da construtora Odebrechet, na mesma cantina que indiretamente serviu de abrigo para os funcionários na hora do desastre.

Visivelmente nervoso, Sanchez "lamentou" a morte dos dois operários. Ele se negou a falar sobre prazos de entrega da obra e mostrou irritação ao responder as perguntas dos repórteres e ameaçou várias vezes interromper a entrevista, em meio ao calor úmido e abafado da cantina.

Horas depois, o coordenador da Defesa Civil paulistana, coronel Jair Paca de Lima, disse que 30% da estrutura do setor leste do Itaquerão foi comprometida e está interdidata. A polícia esteve no local e deve retornar para concluir a perícia.

"Pode ter ocorrido um erro de procedimento, uma torção do guindaste devido ao peso da peça. Algo também pode ter batido", disse o coordenador da Defesa Civil.

Apesar dos atrasos, as obras não serão retomadas imediatamente. Ao fim da tarde, um cartaz escrito à mão foi colocado na cerca ao redor do Itaquerão: "Em respeito a família dos acidentados estaremos de luto nos próximos 3 dias e retomaremos os trabalhos em 2/12."

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