Sorteio opõe equipes com histórico amargo

Cafu participa do sorteio da Copa na Costa do Sauípe / Crédito da foto: AFP
Image caption Sorteio define confrontos equilibrados na primeira fase e garante um campeão mundial fora das oitavas

O sorteio dos grupos da Copa do Mundo é sempre o evento mais esperado pelas equipes, perdendo apenas para o próprio Mundial. Nesta sexta-feira, representantes das 32 seleções estiveram na Costa do Sauípe (BA) justamente para acompanhar de perto os adversários que as bolinhas definiriam para a primeira fase do torneio.

Os futebolistas até costumam dizer que "não dá para escolher adversário" em uma competição do nível da Copa do Mundo, mas evitar adversários muito fortes no início é sempre um desejo comum entre as seleções.

Especialmente quando esses adversários trazem consigo um histórico amargo.

Estrear a Copa do Mundo no Brasil reencontrando o rival da final do Mundial na África do Sul não é melhor dos cenários para uma seleção que sonha com o bi, por exemplo, como é o caso da Espanha.

Ou, no caso da Holanda, que sonha com o título inédito, aquele que já bateu na trave três vezes.

Image caption Espanha reencontrará Holanda, adversária da final em 2010, agora na estreia da Copa

Mas foi esse o destino que as bolinhas sorteadas nesta sexta-feira traçaram. A atual campeã do mundo, Espanha, encabeçou o grupo B e terá logo na sua primeira partida da Copa o mesmo adversário que enfrentou na decisão de 2010: a Holanda.

O histórico das duas equipes, obviamente, é mais amargo para a Holanda, que saiu derrotada por 1 a 0 na final do Mundial passado. Ainda assim, o equilíbrio é grande, com cinco vitórias para os espanhóis, quatro para os holandeses e um empate.

Espanha e Holanda ainda terão outro adversário no grupo B - um dos que pode ser chamado de "da morte" - que promete ser uma pedra no caminho das duas favoritas para passarem à próxima fase.

O Chile, que tem um time promissor, liderado principalmente pelo craque do Barcelona, Alexis Sánchez, deve dar trabalho e pode até ser a surpresa desta chave.

Outro encontro indesejado que acontecerá logo na primeira fase da Copa do Mundo será o de Uruguai, Itália e Inglaterra, pelo grupo D. Bicampeões mundiais (1930 e 1950), os uruguaios encabeçam a chave que terá a tetracampeã Itália e a campeã Inglaterra no chamado “grupo da morte” do Mundial no Brasil.

Com isso, já dá para ter uma certeza sobre a Copa de 2014: pelo menos um campeão mundial ficará pelo caminho.

Nesta disputa, quem sai perdendo – ao menos pelo retrospecto – é a Inglaterra. No histórico contra a Itália, os ingleses somaram oito vitórias contra nove dos italianos.

Contra o Uruguai, os sul-americanos também levam vantagem e têm quatro vitórias contra três dos britânicos.

Brasil x algozes

A seleção brasileira vive a expectativa de conquistar o hexacampeonato em casa e espantar o fantasma da Copa de 1950 – quando o Brasil perdeu a final do Mundial no Maracanã para o Uruguai, no episódio conhecido como Maracanazo.

É possível até dizer que o Brasil teve um pouco de "sorte" com os adversários da fase de grupos, mas ainda assim, enfrentará alguns algozes recentes.

Image caption Sorteio define o início do caminho do Brasil rumo ao hexacampeonato

Entre os europeus, o Brasil ficou com um dos menos tradicionais, a Croácia, que surpreendeu em 1998, quando chegou às semifinais. Mas desde então não conseguiu passar mais da primeira fase.

Já pensando nos representantes da Concacaf, a seleção pode se preocupar um pouco. O México até teve dificuldades e só se garantiu na Copa após a repescagem, mas é sempre um adversário que incomoda o Brasil.

Na Olímpiada de Londres, Neymar, Oscar, Thiago Silva e companhia acabaram frustrados na final contra os mexicanos, saindo com mais uma prata dos Jogos.

O troco veio na Copa das Confederações, mas ainda assim, o técnico Luiz Felipe Scolari sabe que terá que tomar cuidado para não se surpreender no Mundial.

O último adversário da fase de grupos será o, tradicionalmente mais fraco, Camarões.

Mas nem sempre a tradição falou mais alto no confronto entre os dois países. Em 2000, na Olimpíada de Sydney, a seleção brasileira de Ronaldinho Gaúcho acabou eliminada para os camaroneses nas quartas de final, mesmo com dois jogadores a mais em campo.

Além disso, é sempre bom tomar cuidado com um time que tem Eto’o no ataque.

Mas o grande encontro do Brasil com um de seus fortes algozes poderá acontecer mesmo nas oitavas de final. Caso a seleção se classifique em primeiro, ela tem grandes chances de enfrentar a Holanda, como segunda colocada do grupo B, no primeiro mata-mata da Copa.

E foram justamente os holandeses que acabaram com o sonho do hexacampeonato na Copa da África do Sul, vencendo os brasileiros de virada por 2 a 1.

O lado extra-campo

No grupo F, que tem Argentina como cabeça-de-chave, Bósnia-Hezergovina, Irã e Nigéria, haverá um encontro de dois países que ainda vivem uma polêmica histórica mal resolvida.

Em 2014, um dos maiores atentados que já ocorreram na América Latina, completará 20 anos sem que a autoria dele tenha sido revelada. O ataque aconteceu em Buenos Aires, na Argentina, na associação mutual judia AMIA, em julho de 1994, e a suspeita era de que autoridades do governo iraniano da época estivessem por trás dele.

No total, 85 pessoas morreram e 300 ficaram feridas e, desde então, a relação entre Irã e Argentina se abalou um pouco – os argentinos acusam os membros do governo iraniano de serem os autores intelectuais do atentado.

Os dois países veem essa questão como mal-resolvida e, ao longo das últimas duas décadas, tentaram firmar inúmeros acordos para solucionar o caso – ainda assim, até hoje, ele não teve desfecho.

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