Brasil comprará caças suecos por US$ 4,5 bilhões

Caça Gripen, da sueca Saab, em foto de 2012 (AFP)
Image caption Caça Gripen, fabricado pela sueca Saab, foi o escolhido por autoridades brasileiras

Após uma longa indefinição, o governo anunciou nesta quarta-feira que renovará a frota de caças da Força Aérea Brasileira (FAB) com a aquisição de 36 aeronaves Gripen-NG, da empresa sueca Saab.

A oferta da Saab desbancou duas concorrentes poderosas: a americana Boeing e a francesa Dassault.

Em entrevista a jornalistas, o ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou que a oferta da Saab foi escolhida com base nos seguintes critérios: qualidade dos aviões, transferência de tecnologia e custos de aquisição e manutenção.

A proposta da Saab era a mais barata e custará, segundo a Aeronáutica, US$ 4,5 bilhões, a serem pagos até 2023.

O Brasil deverá receber as primeiras aeronaves a partir de 2018. A partir de então, segundo a Aeronáutica, serão entregues 12 aviões por ano.

De acordo com Amorim, os aviões permitirão enfrentar ameaças em qualquer ponto do Brasil. Ele disse ainda que a transferência de tecnologias pela fabricante contribuirá para que a indústria nacional se capacite para a produção de caças de última geração.

A decisão pelos caças suecos ocorreu apesar de forte lobby da França e dos EUA. Na semana passada, o presidente da França, François Hollande, visitou o Brasil acompanhado pelo presidente da Dassault.

Durante o governo Lula, jornais divulgaram que o governo esteve prestes a fechar negócio com os franceses.

Após a posse de Dilma Rousseff, porém, os Estados Unidos se reequilibraram na disputa. Em visita ao Brasil em maio, o vice-presidente americano, Joe Biden, tratou da compra dos caças com autoridades brasileiras.

Meses depois, porém, com a eclosão de denúncias de que a NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) havia espionado Dilma, baseando-se em informações divulgadas pelo ex-consultor da NSA Edward Snowden, a relação entre os dois países esfriou.

A decisão do governo pelos Gripen atendeu a preferência da FAB, que havia se manifestado a favor dos caças suecos em relatório sobre as três aeronaves em disputa.

Segundo a proposta da Saab, 40% do caça será fabricado no Brasil.

Negociações para a compra dos caças se iniciaram na década de 90, quando o governo FHC criou o programa FX para substituir os aviões de interceptação da FAB.

As discussões entraram em nova fase no governo Lula, que pôs fim ao programa FX e criou o FX-2, mais abrangente.

Hoje, para cumprir a missão que será executada pelo Gripen, o Brasil conta com 12 caças franceses Mirage-2000, considerados defasados.

Os jatos ficam em Anápolis (GO), cidade próxima a Brasília, e têm como principal atribuição evitar ataques aéreos à capital federal.

Em audiência recente no Congresso, o comandante da FAB, Juniti Saito, disse que os Mirage-2000 seriam aposentados até o fim deste ano e substituídos provisoriamente por aeronaves do modelo F-5, que já pertencem à força e hoje se encontram em bases espalhadas pelo país.

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