Sudão do Sul 'à beira do precipício': a crise no país mais novo do mundo

  • 20 dezembro 2013
Foto: AP
Image caption Refugiados buscam abrigo em acampamentos das Nações Unidas

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou que o Sudão do Sul está à beira do "precipício" de uma guerra civil, depois que confrontos na capital, Juba, se espalharam pelo país.

Acredita-se que pelo menos 500 pessoas morreram desde o último fim de semana, quando o presidente Salva Kiir acusou seu ex-vice, Riek Machar, de tentar realizar um golpe de Estado.

Estima-se que 34 mil pessoas se refugiaram em acampamento das Nações Unidas diante da escalada de violência.

Segundo analistas, o conflito reflete uma disputa política no coração do partido governista, mas pode ter desdobramentos de fundo étnico.

O presidente Kiir pertence à etnia dinka, a mais numerosa do país, enquanto Machar é do grupo nuer, o segundo maior.

No passado, houve conflito entre as etnias, e a disputa política entre o presidente e seu vice, agora foragido, pode, segundo analistas - e Obama - desembocar em uma guerra étnica.

O Sudão passou por guerra civil de 22 anos, que deixou mais de um milhão de mortos. Em 2011, o Sul se tornou independente.

'Guerra em todo o país'

Image caption O ex-vice presidente Riek Machar postulava comando do partido governista

"O Sudão do Sul está no precipício. Recentes combates ameaçam mergulhar novamente o Sudão do Sul nos dias sombrios de seu passado", disse o presidente Obama em uma carta ao Congresso.

O presidente do Conselho de Segurança da ONU, Gerard Araud, também fez um alerta para a possibilidade de "guerra civil em todo o país", entre as comunidades dinka e nuer.

Cerca de 20 mil pessoas se refugiaram na missão da ONU apenas na capital, Juba. Muitos deles disseram que sudaneses da etnia nuer foram alvejados nos combates.

Um dos agravantes em caso de exacerbação do conflito é o fato de o país estar repleto de armas, após décadas de conflito.

No entanto, alguns analistas temem que o presidente Salva Kiir possa estar se aproveitando do acirramento de ânimos para reprimir ou perseguir críticos - entre eles, seu ex-vice, a quem acusa de tentativa de golpe.

O ex-vice, Riek Machar, critica Kiir por não ter cumprido a promessa de combater a corrupção após a independência e, em julho, havia se apresentando como postulante ao comando do partido governista.

Gado e petróleo

Image caption O presidente Kiir acusa demitiu vice que o criticava

O Sudão do Sul é o mais novo país do mundo, e faz fronteira com seis países da África Central.

O país é rico em petróleo, mas após décadas de guerra civil, é também uma das regiões menos desenvolvidas do planeta - apenas 15% dos cidadãos têm telefone celular e há poucas estradas de asfalto em uma área maior do que a Espanha e Portugal juntos.

Sinais de tensão dentro do partido governista vieram a público em julho, quando o presidente demitiu seu vice.

Desde de que o Sudão do Sul votou pela independência em 2011, o novo país tem testemunhado pequenas rebeliões armadas, conflitos de fronteira e brigas por conta de posse de gado - a medida local de riqueza. Mas sempre em locais distantes da capital, Juba.

A principal preocupação do governo tem sido a de manter a produção de petróleo no país, que estava parada desde a independência e só foi retomada em abril.

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