Pressão pode fazer Netanyahu passar por 'sharonização', dizem especialistas

  • 11 janeiro 2014
Kerry e Netanyahu (AFP)
Image caption Negociação com o secretário de Estado americano, John Kerry, vem pressionando Netanyahu

Com a morte do ex-premiê de Israel Ariel Sharon neste sábado, muitos dos analistas agora questionam se o atual primeiro ministro, Binyamin Netanyahu, vai passar pelo processo conhecido como "sharonização", que significa dar uma guinada de posições, passando da direita para o centro.

O termo já foi incorporado no vocabulário politico de Israel, sendo visto de uma de maneira pejorativa para simpatizantes da direita e de maneira elogiosa do ponto de vista dos pragmatistas.

Esse processo consiste no abandono da ideologia da "Grande Israel", da direita israelense, em favor da posição mais pragmática que levou Sharon a retirar todos os assentamentos da Faixa de Gaza em 2005, depois de três décadas nas quais foi considerado "pai" do movimento de colonização dos territórios palestinos.

A apenas quatro meses da expiração do prazo dado pelo secretário de Estado americano, John Kerry, para a finalização das negociações de paz entre israelenses e palestinos, se intensificaram os questionamentos sobre a possibilidade de Netanyahu seguir os passos de Sharon e concordar com o desmantelamento dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.

Perspectiva diferente

"Coisas que se vê daqui não se vê de lá", afirmou Sharon quando foi questionado acerca de sua guinada politica, no sentido de que o cargo de primeiro-ministro lhe conferia uma perspectiva diferente sobre as necessidades do Estado de Israel.

De acordo com Yossi Sarid, ex-ministro da Educação e líder do partido social-democrata Meretz, nos últimos dois anos de sua gestão (2003-2005) Sharon mudou, de repente, ele percebeu que os palestinos também queriam ser um povo livre.

"Se não tivesse entrado em estado de coma poderia ser lembrado como libertador da Palestina", afirmou Sarid em artigo no jornal Haaretz.

Para o analista politico da radio Kol Israel, Hanan Cristal, "mais de cem assentamentos na Cisjordânia são obra de Sharon, mas ele também foi o único primeiro ministro que desmontou assentamentos".

Segundo o analista Chico Menashe, "Sharon provou que é possível retirar assentamentos, apesar das fortes pressões da ala direita da politica israelense".

Resistência

Os últimos pronunciamentos de Netanyahu não indicam uma guinada para o pragmatismo.

"Não abriremos mão de lugares importantes para o povo judeu, como Hebron e Beit El", disse Netanyahu aos membros de seu partido, Likud, em referência a assentamentos localizados em meio à população palestina na Cisjordânia.

Netanyahu também afirmou que Israel não irá se retirar dos grandes blocos de assentamentos, ao longo da fronteira anterior à guerra de 1967 e, segundo o premiê, Israel também não poderá abrir mão do controle militar do Vale do Jordão, ao longo da fronteira leste da Cisjordânia.

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