Leões caminham para extinção na África Ocidental, diz pesquisa

Leão fotografado em parque nacional em Benin, África Ocidental (Foto: ONG Panthera) Direito de imagem Panthera
Image caption Animais são ameaçados por avanço da agricultura, redução de seu habitat e caça ilegal

O número de leões na África Ocidental sofreu um "colapso catastrófico", diz uma pesquisa recém-publicada, que calcula que restem apenas 400 animais na região.

E teme-se que a população inteira esteja à beira da extinção, já que haveria menos de 250 leões em idade de acasalamento.

A pesquisa, realizada pela ONG Panthera e publicada no periódico científico PLOS One, foi realizada em 17 países oeste-africanos, incluindo Senegal e Nigéria, por mais de seis anos.

Em 2005, estimava-se que havia leões em 21 áreas protegidas na África Ocidental; agora, aparentemente eles estão restritos a quatro dessas áreas - ou a apenas 1,1% de seu território original.

A maioria de seu habitat natural foi convertida em área agrícola (sobretudo grandes plantações de algodão e alimentos), diz Philipp Henschel, coautor da pesquisa.

"Os resultados são chocantes - a maioria das áreas que pesquisamos eram parques apenas no papel, sem orçamento gerencial, patrulhas. Perderam todos os seus leões e outros grandes mamíferos", afirma Henschel à BBC.

A Panthera quer que o leão seja listado como espécie ameaçada na África Ocidental.

Ainda segundo a pesquisa, esse leão é atualmente encontrado em apenas cinco países: Senegal, Nigéria, Benin, Níger e Burkina-Faso (os três últimos países compartilham apenas uma população de leões, que habita uma parte da tríplice fronteira).

Pesquisadores da Duke University, nos Estados Unidos, dizem que os leões tem chances de sobrevivência bem maiores em outras partes da África, graças à criação de reservas em parques nacionais – nenhuma delas na África Ocidental.

Especialistas estimam que a população total de leões na África hoje é composta de aproximadamente 32 mil animais.

Há 50 anos eram 100 mil, e a queda é creditada à drástica redução, pela ação humana, da área de savana natural, o habitat natural do leão.

Genética única

Os leões da região ocidental da África têm um sequenciamento genético único, não encontrado em outras espécies (incluindo as que vivem em zoológicos ou outras forma de cativeiro).

A diminuição da espécie ameaça, assim, uma população já geneticamente adaptada a condições específicas.

Além da redução de seu habitat, eles são fortemente ameaçados pela caça ilegal, que abastece mercados locais.

"Em algumas áreas, testemunhamos pastores de gado e cabra matando leões, após entrarem ilegalmente em áreas protegidas", prossegue Henschel.

Também contribuem para o cenário a falta de verbas para esforços de conservação, o aumento da população humana nas áreas onde vivem os animais e a pobreza econômica.

"São alguns dos países mais pobres do mundo, cujos governos têm prioridades maiores do que proteger leões", diz o pesquisador.

Símbolo de orgulho

Mas os leões oeste-africanos têm um significado especial na cultura da região: são um símbolo de orgulho para governos e cidadãos e figuram em brasões de diversos países.

A União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) diz que será necessária ajuda internacional para salvar os animais.

Ao mesmo tempo, Benin e Senegal estão elaborando um plano de ação para identificar formas de salvar seus leões.

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