ONU 'desconvida' Irã de conferência sobre paz na Síria

  • 20 janeiro 2014
Sala onde será realizada a conferência sobre a Síria (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Conferência é tida como o maior esforço diplomático para pôr fim à guerra na Síria

Após reações dos EUA e da oposição síria, a ONU retirou o convite para que o Irã participasse da conferência sobre a paz na Síria, a ser realizada nesta semana.

O argumento é de que Teerã - um dos maiores apoiadores do regime sírio - não avalizou a ideia de promover um governo transitório ao país árabe.

O porta-voz da ONU Martin Nesirky disse que Teerã havia sido convidado pelo secretário-geral Ban Ki-moon após autoridades iranianas terem "entendido e apoiado a base e o objetivo da conferência" - mas, publicamente, o governo iraniano afirmou que não aceitaria precondições para participar do encontro.

A conferência de paz, a ser realizada na Suíça, é tida como o maior esforço diplomático até agora para pôr fim à guerra civil na Síria, que completa três anos com um saldo de mais de 100 mil mortos e milhões de refugiados.

Delegações

O regime sírio e o principal grupo de oposição, a Coalizão Nacional, devem enviar delegações para o encontro.

A oposição chegou a colocar sua presença em dúvida após o convite - feito por Ban na noite de domingo - ao Irã.

Monzer Akbik, chefe de gabinete da Coalizão Nacional, disse à BBC que a inclusão do Irã nas conversas contrariava a promessa recebida pelo grupo.

A enviada dos EUA ao encontro, Samantha Power, afirmou que Teerã não teria direito a participar do encontro por não ter apoiado "publicamente" um processo de transição para a Síria.

"Esse é um requisito mínimo para participar deste processo de paz", disse ela.

Em contrapartida à forte oposição de EUA e Arábia Saudita, a ONU e a Rússia (também aliada síria) vinham defendendo a participação do Irã na conferência.

Ban convidou Teerã ao evento após ter recebido garantias de que os iranianos teriam um "papel positivo" em defender uma transição de poder na Síria.

Mas seu porta-voz disse que a ONU ficou "desapontada" com os comentários subsequentes do governo iraniano, que rejeita apoiar explicitamente um processo transitório em seu aliado árabe.

Diálogo

A conferência começará na quarta-feira, na cidade de Montreux, e continuará em Genebra nos dois dias seguintes.

Sua realização começou a ser orquestrada em maio do ano passado, quando o chanceler russo, Serguei Lavrov, e o atual secretário de Estado dos EUA, John Kerry, concordaram em colocar frente à frente os dois lados do conflito sírio.

Mais adiante, o Conselho de Segurança da ONU pediu uma conferência para implementar o comunicado de Genebra - um acordo, feito em 2012, em prol de um governo de transição.

De um lado, a Coalizão Nacional argumenta que um governo de transição não pode envolver o atual presidente sírio, Bashar al-Assad.

Mas o presidente deu indicativos de que não pretende abandonar o poder - e agregou, nesta segunda-feira, que a possibilidade de a oposição obter cargos ministeriais em um novo governo é "totalmente irrealista".

Ao mesmo tempo, um relatório de três promotores internacionais aponta "evidências claras" de que a Síria torturou e executou cerca de 11 mil detentos nos últimos três anos.

Os investigadores analisaram milhares de imagens de prisioneiros mortos, que foram suportamente contrabandeadas para fora da Síria por um militar que desertou.

O relatório foi encomendado pelo Catar, que apoia grupos rebeldes sírios. O governo sírio nega acusações de abusos aos direitos humanos.

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