Raúl Castro abre cúpula com críticas ao 'imperialismo' na região

Presidente cubano, Raúl Castro na abertura da Celac (AP) Direito de imagem AP
Image caption Presidente cubano, Raúl Castro, citou as Malvinas durante discurso de abertura da Celac

O presidente cubano, Raúl Castro, criticou nesta terça-feira a presença de potências internacionais na América Latina e do Caribe – citando especificamente as ilhas Malvinas (Falklands para os britânicos) e Porto Rico. A declaração foi feita durante o discurso com que abriu oficialmente a cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos). Em um evento paralelo, a presidente Dilma Rousseff teve um encontro privado com Fidel Castro.

Durante seu pronunciamento, Castro pediu que as 33 nações presentes na cúpula – que tem como um de seus objetivos a resolução de conflitos regionais – declarem a região uma “zona de paz” para “erradicar de uma vez por todas a guerra e o uso da força ou ameaça”.

“Nós reiteramos nossa total solidariedade com a República da Argentina, em seu reclamo pelas ilhas Malvinas, pelas Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul e seus mares adjacentes”. Geórgia e Sandwich são territórios ultramarino britânicos no sul do oceano Atlântico que também são reivindicados pela Argentina.

Segundo analistas, é esperado que a Argentina use a reunião da Celac para tratar do tema sem a oposição de demais países, o que não ocorreria em outros encontros internacionais.

Porto Rico

Castro também disse que a comunidade da América Latina e do Caribe “estará incompleta enquanto o lugar de Porto Rico, uma nação irmã genuinamente latino-americana e caribenha, que enfrenta um status colonial, continuar vazio”.

Porto Rico possui o status de Estado Livre Associado dos Estados Unidos. Apesar do país não ser oficialmente território americano (podendo se tornar independente quando quiser), seus habitantes têm cidadania americana e escolheram manter esse status em ao menos três plebiscitos. Atualmente há uma discussão interna sobre sua incorporação aos EUA.

Castro também agradeceu aos chefes de Estado que se manifestaram contra o bloqueio americano à ilha e contra a inclusão de Cuba na lista dos EUA de países que “patrocinam o terrorismo”.

Fidel

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Image caption Dilma agradeceu Fidel pelo envio de médicos cubanos ao programa Mais Médicos

Na segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff disse, durante um pronunciamento ao lado de Raúl Castro, que o embargo americano é injusto. Os dois participavam da inauguração do porto de Mariel, a 40 quilômetros de Havana.

A presidente brasileira compareceu à abertura da cúpula da Celac ao lado do chanceler Luiz Alberto Figueiredo. O ministro quebrou o protocolo ao utilizar uma camisa “guayabera” – típica de Cuba – durante o encontro. Dilma usava uma camisa que lembra o estilo cubano.

A mandatária deve discursar ainda nesta terça-feira na Celac, mas deixará o evento horas depois para voltar ao Brasil. A cúpula só deve terminar na quarta-feira.

Na segunda-feira, Dilma teve um encontro privado com Fidel Castro, no qual agradeceu pelo envio de médicos cubanos ao programa Mais Médicos, que deve ser usado como carro-chefe de sua campanha eleitoral.

A presidente também disse a Fidel que o financiamento do porto de Mariel mostra a importância do processo de integração entre os dois países.

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